Diga: Renato!


sexta-feira, junho 29, 2001
Toc-toc-toc. Barulhinho infernal esse. Reparei faz poucos dias. Em breve todo mundo perceberá e dirá: "tem um barulhinho no seu carro, já reparou?" ou então: "que barulhinho é esse, Renato?". Sei lá, pombas! Se soubesse já teria mandado consertar. Aí as pessoas se tornam videntes: "é uma peça da direção que rompe com tempo. Já aconteceu comigo". Mentira. Não aconteceu nada. Nem ele(a) sabe o que é. Estão chutando, te chamando de burro e querendo parecer inteligente. Tudo balela. E o toc-toc-toc vai aumentado, com o tempo você começa até a conversar com ele
- Oi toc-toc, hoje só veio falar comigo mais tarde, né?
- toc-toc-toc
- É, você costuma falar sempre lá na primeira esquina, e hoje só na quarta. Mas, tudo bem?
- toc-toc-toc-toc-toc
E o toc-toc-toc nunca vai embora. Com o tempo ele te irrita de tal maneira, que periga você bater ou enlouquecer em uma viagem, passa a dirigir de forma a evitar que o toc-toc-toc ocorra. Some da minha vida toc-toc-toc filho dasunha.



quinta-feira, junho 28, 2001
O que tem feito de bom? Tem pergunta mais hipócrita que essa? Essa pergunta é feita com um único propósito: te fazer falar para fingir que seu interlocutor conversa com você. Na verdade, só você fala, seu interlocutor, no máximo, acrescenta um ou outro comentário. Quando é um interlocutor esperto e de boa memória, grava pontos chaves no seu relato para depois esmiuçar, gastando o tempo de convesa entre vocês. "O que tem feito de bom" é uma frase feita apenas para enganar, ninguém que a faz está verdadeiramente interessado o que você tem feito. É falta de assunto mesmo.



quarta-feira, junho 27, 2001
Ser reprovado é ruim, mas morrer queimado é bem pior.



terça-feira, junho 26, 2001
Eu ODEIO oficina. Se minha língua nativa fosse o inglês eu acrescentaria "with all my heart and soul". Destesto mesmo. Antipatia completa por ela e tudo que a cerca. E os mecânicos? Por que eles são tão prepotentes? Sempre de cara amarrada e sorriso apenas para uns chatos e puxa-sacos que aparecem quando você está lá. Por que sempre aparece um sujeito que te interrompe e fica cheio de conversa-mole-que-leva-a-lugar-nenhum com o mecânico. Eu ODEIO oficina. Não bastasse tudo, tem ainda aquele monte de graxa, um cheio de óleo e um monte de ferramentas espalhadas por todo o canto. Poucas têm um banco para você se sentar, nem sequer paredes limpas para você se encostar. E tome a entrar gente. Tome a vir puxa-sacos. Tome a demorar com seu serviço. Eu ODEIO oficina. E vem o mecânico dizer que a biela está com problema, você nem imagina o que seja isso, mas para impressioná-lo - e evitar roubos maiores - você finge que entende. Idiotice sua, porque ele ao te olhar já sabe que você não sabe nada. O pistão não funciona bem, diz ele, mas você não é músico. Dane-se o pistão. Dane-se o batente. Dane-se se é problema elétrico. Dane-se homocinética. Tudo é homocinética. Sempre tem problema na homocinética. E o que é homocinética? Eu ODEIO oficina.



- Ah, tem biclicleta, né?
- É, tenho sim.
- Gosta de andar nela...
- Não.
- Mas ela é sua, né?
- É.
- Você quem comprou, certo?
- Isso.
- Então gosta de bicicleta, perfeito?
- É, sim.
- Logo, gosta de andar nela...
- Não, isso não.
- Não digo andar a praia inteira, mas uma volta no quarteirão...
- Nem isso.
- Ué, então quer bicicleta para enfeite?
- Hmmmm... de certa forma, sim.
- Deve ficar pendurada na sala, então...
- Não, fica no quartinho de velharia.
- Mas é um modelo bem caro, feito com aquele material de fazer foguete, não é isso?
- É, isso mesmo.
- Não dá nem uma volta nela?
- Não.
- Pô, para que comprou então?
- Porque gosto de bicicleta.
- Gosta, mas não anda?
- A-hã.
- Isso é coisa de maluco...
- É verdade, andar de bicicleta é coisa de maluco...
- Não! Maluco é gosta da bicicleta e não andar!
- Mas eu ando. Não nela.
- Você a empurra?
- Não, eu ando sozinho.
- Cara, afinal de contas, você gosta ou não de bicicleta???
- Da bicicleta eu gosto, não gosto é de pedalar.



segunda-feira, junho 25, 2001
Encontrei com o Wilson. É uma das pessoas mais engraçada que já conheci. Ele não consegue ficar dez minutos conversando seriamente sem que surja alguma piada. E não é desses com humor sutil ou coisa assim. É escrachado mesmo. Lembro que ele sempre dizia que nunca mudaria. Segundo ele, o encontraríamos com 70 anos da mesma forma sacana de ser. Ouvi isso pela primeira vez em 1988, já estamos em 2001, e ele continua do mesmo jeito de sempre. Quando nos despedíamos, ele veio com uma história que o homem deve seguir quatro regras claras e simples. Como eu concordo com essas regras dele, vou aproveitar para passá-las para vocês:

1. Não matar;
2. Não roubar;
3. Não fumar maconha, ou qualquer outro tipo de droga;
4. Não dar a bunda.



PIADA DE BRASILEIRO CONTADA POR PORTUGUÊS

Um brasileiro apressado para não perder o trem e perdido em Portugal, pergunta:

- Por favor, senhor, qual ônibus eu pego para ir para a estação de trem?
- A cá não chamamos ônibus, chamamos autocarro.
- Tá, qual o autocarro eu pego para ir para a estação de trem?
- A cá não chamamos estação, chamamos gare.
- Tá bom, tá bom... qual o autocarro eu pego para ir para a gare pegar o trem?
- A cá não chamamos trem, chamamos comboio.

O brasileiro fulo da vida com tanta conversa fiada pergunta:

- Tá, tá... vem cá. Como vocês chamam filho da puta aqui?
- Não chamamos. Ele é que insistem em desembarcar a cá pela Varig.



Um negócio chato que existe são pessoas que ficam a todo momento citando frases de outros. Isso é de irritar qualquer monge budista. No entanto, confesso que admiro as pessoas que sabem cunhar frases que consigam sintetizar em poucas palavras um pensamento claro. Não preciso dizer mais nada para provar que gosto muito de Mário Quintana. Eu também sempre lamentei nunca ter criado uma frase célebre, que conseguisse reunir uma idéia de forma simples e prática. Também, nunca tinha tentando fazer isso. Ao longo dessa minha existência, comecei a anotar algumas dessas frases que pensei e irei divulgá-las aqui. Acredito que elas são verdadeiramente minhas. Sempre temi plagiar alguém sem querer, porém se alguém achar que ela pertença a outra pessoa, peço a gentileza de me avisar.



quarta-feira, junho 20, 2001
Sabem qual é a solução para evitar o "Apagão"?
Aprender a votar.



FHoC (Fernando Henrique, o Corno) fez 70 anos. Caraca, fico pensando na infelicidade de quem o acompanhou ao longo desses anos todos. Só o conheço há 7 e já não aguento mais.



Eu não gosto do grupo Engenheiro do Havaí, são chatos e repetitivos. O grupo acabou (ou parece que acabou), mas voltou (ou continuou, sei lá). O que importa é que nada de novo trouxe. Tudo a mesma coisa. Pô, esses caras não evoluem? Vão continuar agarrados ao passado e sua fórmula pronta de sucesso? Isso é ser artista? Isso depõe contra tudo que fundamenta o processo criativo. Arte é criatividade. Criatividade se alcança com o experimento, com o novo, com o impensado, com o diferente. Criatividade requer mudanças, transformações, tentativas. Mas os caras continuam tocando as mesmas musiquinhas de sempre, sem demérito para os clássicos que conseguiram emplacar, não vamos desqualificá-los por completo, não é isso. Mas, aturar a mesmice de sempre sem que seja para apenas um álbum de "revival", é um saco!

E pensar que os Raimundos acabaram, sacanagem!



Uns dizem que Deus é o Pai de tudo, o responsável pela vida na terra e a magia do universo. Outros dizem que a Mãe Natureza é que se encarrega de tornar o mundo habitável e perfeito em seu funcionamento. Cada um desses lados, em geral, renega, a sua maneira, o outro - o que o contradiz. Seguindo essa lógica excludente, pego-me pensando no seguinte: se Deus é Pai, quem é a Mãe? ou se a Natureza é Mãe, quem será o Pai? Não seria mais fácil promovermos o casamento de ambos, permitindo que Pai e Mãe, cada qual com seus ensinamentos, ensinasse-nos uma maneira digna de viver respeitando a vida, o ser e o ambiente? Não resolveria o problema?



Voltando ao tema loucura. Qualificar uma pessoa como louca, mesmo que ela seja considerada assim pela ciência, não é uma maneira filosófica correta de denominá-la. A loucura transcende os loucos. Tolos são os loucos que julgam-se loucos. Triste são os sãos que julgam-se sãos, pois eles também são loucos, ainda que não em 24 horas, mas em alguns segundos! A loucura é maior que todos, sãos ou não. Pensem nisso.



Escutei hoje pela primeira vez uma paródia do grupo O Surto, gravado no Rock in Rio III, da música Californication do Red Hot Chilli Peppers. A versão chama-se "Triste mais eu não me queixo". Bem sacada. Deveriam fazer mais coisas nesses sentido, não só eles, mas várias dessas bandas novas. E não somente das músicas dos grupos estrangeiros, dos nacionais também seria legal. E os Raimundos acabaram, vejam só!



- Pensei em comprar uma moto.
- Ah, gosta de motos?
- Não, só pensei em comprar.
- Pois é, se pensou é porque tem alguma afinidade.
- Não, nenhuma.
- Como assim?
- Eu não tenho afinidades com motos.
- Já andou, pelo menos?!
- De carona.
- Nunca guiou?
- Nunca.
- E para que quer uma moto?
- Não quero uma moto. Eu disse que pensei em comprar uma.
- Por investimento, quem sabe?!
- Não, não julgo inteligente investir em veículos.
- E como ou para que pensou em compar uma moto?
- Para nada, raios! Eu só pensei.
- Ah, é questão de esbanjar, então?!
- Caramba! Não há nenhum motivo. Eu só pensei. Pensar não requisita que haja algum compromisso ou obrigação específica, entendeu?
- Cara, isso é insano! Insano e impossível! Ninguém pensa em fazer algo sem nenhuma intenção ou compromisso...
- Então você acha que obrigatoriamente tudo que se pensa tem alguma associação ou ligação com algo real? Uma verdade interna?
- Isso. Necessariamente tem de haver algum fundamento, alguma suspeita...
- Ah, é? Nada a ver! Tanto assim que vou provar!
- Como?
- Pensei que você era viado.



terça-feira, junho 19, 2001
Tardezinha feia, hein gente? Tempo nublado, ameaça de chuva! Hmmmm... uma boa época para pensar em suicídio (pense nisso Rafael!). Pois é, falta do que fazer também é fogo. Compilar programa grande em VB num Pentium-100 com 32MB de RAM e 30MB livre de HD, é dose pra leão. Pior, se eu ficar parado, encosta um chato do meu lado para falar do feriadão. Esse povo não se toca? Aí, fico eu aqui sendo obrigado a digitar para matar o tempo, fingir que trabalho e, assim, espantar os chatos. Não necessariamente nessa mesma ordem. O telefone tocou, era o cliente boyola que Praga me arrumou. É cada um. Vou atender não. Estou preocupado com o fim dos Raimundos, onde é que nós vamos parar desse jeito? Começo a acreditar nessa história de fim do mundo. E a pós-graduação? Quando acho uma, é cara; quando não, é longe; quando topo, não me aceitam. Às vezes acho que isso é pessoal. O que esses reitores têm contra mim? Nunca lhes fiz nada! Só porque fiz Politécnico? Poxa, quanto rancor! Danem-se, seus reitores reacionários! Chegou e-mail. Era do boyola que Praga indicou, diz ele: "Renato, não consigo falar com você. Entre em contato". Respondi trocando o subject por um desses que os vírus de macro usam. Duvido que ele vá ler. O programa acabou de compilar. Tchau.



O Olhar. Quais serão os mistérios que cercam o olhar? Nos dias de hoje (ou talvez nos dias de sempre) as pessoas olham para não ver. Nas nights isso fica ainda mais evidente. As pessoas fingem não ver as outras, olham sem deixar que seus olhares falem. Olhar fala, gente! Mas elas não querem se mostrar. Não querem se nivelar, temem por isso, julgam que estarão vulneráveis. Têm medo. Como o medo enfraquece as pessoas, hein?



Alguém aqui sabe das opiniões de Freud sobre as pessoas que formavam o Reich? Existe alguma publicação dele que aborde esse assunto? Pelo pouco que li a respeito, eles eram um prato cheio para as suposições de Freud. Quem souber de algo a respeito me mande um e-mail.



Estou inclinado a cursar Marketing cada vez mais. Isso é fabuloso. Reúne as regras que a sociologia, economia, psicologia e filosofia estabeleceram ao longo de anos. É uma forma sintética de se obter os frutos mais diretamente, sem grandes esforços, no sentido de estudar os pequenos detalhes das causas. No Marketing parte-se de pressupostos já estabelecidos e fundamentados. Poupa-se tempo no seu aprendizado. Gosto de Marketing e Propaganda, mas não desgosto da Informática. Quero fazer Marketing.



Aos que me taxam de reacionário, machista ou conservador, digo que não me identifico em nenhuma dessas três classificações. Não gosto de rótulos e deles fujo com minha serenidade e liberdade de pensar. Odeio esse padrão classe média de pensamento. Todos gostam das mesmas coisas, sentem-se obrigados a ir aos mesmos lugares e pautam-se fervorosamenta pelo que manda a Grande Madre Imprensa. Policiam-se para estarem agindo (e o que é pior, pensando!) em conformidade com os preceitos ditados por ela (a Grande Madre Imprensa). Isso é de uma pobreza de espírito atroz.



Dizem que existe um consciente coletivo que vaga por aí (pelo ar talvez) como se fosse um onda de rádio. Falam em dimensões e planos diversos. Falam que nossa íris guarda a marca (como se fosse alto-relevo) da última imagem que vemos antes de morrer. Falam que nossas palavras, gritos, gemidos vagam em alguma dimensão e que no futuro poderemos ouvi-los novamente. Falam que com isso iremos resolver dúvidas que atormentam a história da humanidade. O que penso disso tudo? Não penso. Vou esperar para ver. Penso sim que a Internet é uma maneira de solidificar pensamentos. A escrita permite que representemos graficamente o pensamento, a Internet permite acessibilidade a essas representações. A Internet, dessa forma, caminha para se tornar um mundo paralelo. Talvez ela seja a tal da outra dimensão.



O pensamento feminino é intrigante. Sempre pautado por exageros e necessidades superficiais. A Tia Mu me perguntou se não tenho ânsia de falar. Ânsia de falar, quem melhor que uma mulher para proferir tal exagero. Julgo relatos do BLog, como esse, uma forma de expressão. Falo para muitos, ou para ninguém, mas falo fundamentalmente para concretizar minhas idéias, para permitir que eu possa no futuro avaliá-las com mais critérios. Falo para que os futuros arqueólogos - que usarão o computador como campo de suas escavações - possam resgatar o que penso nesse início de milênio. Aqui sou ator, pensador, vagabundo, escritor ou qualquer outra coisa, mas o que importa é que somos o que pensamos ser, já disse isso.



segunda-feira, junho 18, 2001
Grande vitória de Hélio Castro Neves na F-Indy (ou CART, ou F-Mundial, ou FedEx Championship, como preferirem). Largou na pole e venceu o GP de Detroit. Com esse resultado se aproximou mais do líder do campeonato, Helinho é o segundo.



Corri de kart. Larguei em último (éramos 8) e cheguei em quinto. Bom resultado para um péssimo kart. Conselho meu: não vão ao Planet Kart (no Anil). É o maior roubo. Karts em péssima qualidade/estado. Um risco às pessoas, vi kart perder a roda durante a prova.



Sempre que falo com a renbrasp, saio da conversa me sentindo mais inteligente. Bruxaria? Não, é tecnologia. Tecnologia que permite nos falarmos regularmente. Depois de muito tempo falei com a Mu, tive notícias da Wa. Kozy foi pra Nova York, ainda não mandou notícias. O que ela anda fazendo por lá?



domingo, junho 17, 2001
Uma das coisas mais curiosa da vida é a loucura. O que norteia a loucura? Qual o limite entre a loucura e a não-loucura? Às vezes penso nisso, mas o fato é que acredito que tudo não passa de uma forma de crença. Para enlouquecer ou não-enlouquecer basta acreditar. Acreditar que é ou não é louco. "Somos o que podemos ser", isso já foi dito, mas também somos o que podemos crer. Pensem nisso.



Nos últimos minutos não pensei em nada para escrever. O fato é que preciso de algo escrito, é que não consigo testar se essa página está funcionando corretamente. A menos que eu escreva algo. Opa, já tenho algo para testar.



Olá! De hoje em diante passarei a fazer minhas anotações aqui. Não prometo regularidade. A destinta menina há de concordar que o dia-a-dia se encarrega de nos roubar o pouco tempo que temos para nos dedicarmos a questões edificantes, como a de manter um BLog atualizado. Mas me esforçarei em mantê-lo abastecido com meus últimos pensamentos.