Diga: Renato!


domingo, fevereiro 23, 2003


Guia de respostas cretinas para a geração Pikachu

Quantas vezes você se pega pensando em quanto sofrimento poderia ter evitado
se soubesse o que fazer na hora certa? Desde seu nascimento, as coisas
poderiam ter sido muito melhores se você já soubesse como agir nos momentos
de dúvida. Quando você saiu da barriga da sua mãe, poderia ter evitado ir
para aquela palmada do médico se fizesse um sinal de que estava tudo bem,
fazendo um sinal de O.K. com seu polegar. Quando bebê, poderia ter evitado
aquele constrangimento de ficar com a fralda toda suja se tivessem te falado
que era só tirar a roupa e engatinhar até o jornal do cachorro e se aliviar
ali mesmo, já que você não alcançava ainda o vaso sanitário. Quando estava
entrando na adolescência, poderia ter evitado a sensação de impotência
diante da gargalhada de um colega seu que conseguiu a resposta que tanto
queria ao lhe perguntar se você conhecia o Sunda. E não foi só o Sunda. Na
semana seguinte, teve o Locha. E um mês depois, quando você já se achava
esperto, teve o Mário, aquele que te carcou num lugar que você nem sabia que
era possível ser usado para sacanagem. Se você ainda está nessa terrível
fase em que pode ser vítima de perguntinhas idiotas, não se aflija. Ninguém
mais vai te fazer de otário e todos vão te achar um ser sábio e cheio de
potencial. É só seguir as instruções diante das perguntas abaixo e garantir
um futuro cheio de glórias:

O que a baleia faz no teu cu?

Essa é uma das mais velhas brincadeiras e já está caindo em desuso. Mas tem
sempre alguém disposto a usá-la. O primeiro impulso é responder "Nada!". É
isso que seu colega quer que você diga. Com essa resposta você estará
dizendo que é homossexual, pois tem um grande ânus onde até uma baleia pode
nadar. O melhor a ser dito é "Fica de fora". Aproveite que seu colega ficou
surpreso com sua malandragem e pergunte a ele "Aliás, você tem pentelho no
cu?". Se ele disser que tem, diga a ele "Fui eu que plantei". Se ele disser
que não, diga "Fui eu que tirei". Você já não será mais visto como o mais
idiota da turma.

Que time é teu?

O adversário quer que você diga o nome de um time. Quando você responder
"Flamengo" (ou qualquer time inferior), ele vai rir e dizer para todo mundo
que o time inteiro do Flamengo "te meteu". Conseguiu entender a relação
entre "time é teu" e "te meteu"? Sim, a pronúncia deixa tudo muito confuso.
Mas há uma saída. Basta você responder "Bateu na trave entrou no teu".
Normalmente, os outros colegas que estão por perto e ouvem isso chegam a
urrar para saudar a inteligência da resposta. Agora você terá direito de
bater no garoto mais bobo do grupo.

Você está num navio com seu cachorrinho chamado Nabunda. O barco afunda.
Você leva Nabunda ou deixa Nabunda?

Aqui, seu colega acha que te encurralou bonito. Não há escapatória! Você vai
acabar dizendo que leva ou deixa na bunda. No momento de angústia, você pode
até dizer que "leva Nabunda" pensando que levar é melhor que deixar, já que
quem deixa está gostando. Mas calma, aí! Há um jeito de sair por cima! A
resposta certa é "Nabunda nada". Diga essa frase com calma, explicando que o
cachorro é inteligente e sabe nadar. O resto da turma vai ter certeza de que
você é o cara mais esperto entre eles e você terá, automaticamente,
autorização para pegar a irmã de qualquer um deles.

E qual é o aumentativo de dacueba?

Se liga, rapaz! A palavra "dacueba" não existe em dicionário nenhum.
Trata-se apenas de um jeito sórdido de tentar você falar "dacuebão", que
soaria como "dar cu é bom". Assim que você falar isso, todas as outras
resposta inteligentes que você deu antes irão por água abaixo. Mas, calma.
Tudo vai dar certo. O primeiro método de evitar o golpe é dizer "dacuebaço".
Mas existe ainda um contra-golpe. Ao ouvir o desafio, faça uma cara confusa
e murmure algo propositalmente incompreensível, e num tom de voz abaixo do
audível. Algo como "toviassu". Quando seu oponente perguntar "o quê?", diga
em alto e bom tom: "Todo viado é surdo!''. Será a glória. Seu prestígio
entre a galera está cada vez mais sólido. Seus amigos sempre vão te escolher
entre os primeiros na hora de formar um time para jogar uma pelada. Jamais
vai ser barrado no primeiro jogo, para fazer a de fora. E mesmo quando você
jogar mal, ninguém vai te dar esporro.

Obs.: Esse processo serve também para o caso do "pirueba" e suas variações.

Meu pai está pensando em fazer um churrasco. Com 30 quilos de carne dá pra
20 comer?

Cuidado! Esta é perigosa ao extremo. O malandro à sua frente quer que você
pense "Se cada pessoa come menos de um quilo de carne, 30 quilos são o
bastante para 20 comerem". Aí você responde "sim" e vira um otário. Na
verdade, ele está perguntando "Com 30 quilos de carne dá para vim te comer?"
Sim, há um erro gramatical nessa frase, pois o certo seria "vir te comer".
Mas ninguém vai ligar para isso quando você disser "dá, sim!". Então jamais
diga isso, nem acene a cabeça que sim. Diga "Acho que não. Mas também não
sou bom de contas. Como você, certo?" O cara vai ficar confuso e vai acabar
dizendo "certo". Nesse caso, foi você que o fez de trouxa. Perceba que sua
última frase pode ser interpretada como "Eu como você, certo?". Se seus
colegas não perceberem, chame a atenção para o fato. Você é quem manda
agora. Quando aquela gordinha que todos seus vizinhos pegaram aparecer
grávida, todos vão livrar sua cara. Mesmo que pelos cálculos você seja o
mais suspeito de ser o pai da criança, seus amigos vão dizer que o filho
pode ser de qualquer um deles, menos seu.

Você chegou há pouco de fora?

Outra pegadinha fonética. Não se engane ao ouvir isso assim que tiver
chegado a uma festa. O inimigo não quer saber se você acabou de chegar da
rua. Ele está perguntando mesmo é se "você chegou a pôr o cu de fora?".
Também temos um jeito para te livrar desta. Primeiro responda "Não", de um
jeito bem surpreso, como se fosse impossível essa hipótese. Depois pergunte
"Você está louco hoje?". Se você, não percebeu, você está perguntando se ele
"estalou o cu hoje". Ele vai ser pego desprevenido e vai pensar por
instantes em como responder a esse truque. Na verdade, não há como ele se
enrolar, pois ele jamais responderia "estalei". Mas a coisa é tão simples
que ele vai suspeitar que a resposta mais óbvia seja um jeito de ser
sacaneado. Aproveite os breves segundos de indecisão e diga algo como "não
lembra mais, né?''. É bobo, mas nesse ponto o cara já está fragilizado por
você não ter caído na gracinha dele e o resto da galera vai aproveitar e
sacaneá-lo também. Afinal, você já se tornou o cara mais maneiro do grupo.
Você já não paga nenhuma cerveja que bebe com os amigos, pois ninguém acha
justo te cobrar a dívida.

Qual o nome do carro do Speedy Racer?

Este pode ser um teste de fogo. Speedy Racer é um desenho japonês antigo,
que fez muito sucesso e foi recentemente reprisado na TV aberta em algum
horário obscuro. Se alguém lhe fez esta pergunta, é porque sabe que você é
ligado em televisão e em suas navegadas pela intenet ou assistindo a
programas de tarde na TV já ficou sabendo o nome do carro. A tentação de
provar seu conhecimento vai ser enorme, mas jamais, jamais mesmo, responda
"Match 5". O nome do carro de Speedy Racer é a senha para o seu rival dizer
"Mete cinco? Então toma!" e enfiar cinco dedos entre suas nádegas. Além da
desagradável sensação (ainda mais se você estiver usando calça de moletón),
você voltará a ser o mais mané da turma, pois todo seu currículo não
resistirá a um tropeço duplo. Você terá sido agredido no plano das palavras
e no plano físico. Há uma forma de tentar sair por cima dessa. É uma manobra
difícil e vai depender de seu talento performático. Diga "Não sei. Era
Trovão Azul?". Estamos supondo que como o cara sabe o nome do carro do
Speedy Racer, também é um aficionado pelo gênero. Dizer que não sabe o nome
do veículo do ás do volante e ainda confundir com o nome do helicóptero de
outro seriado de TV vai tirar o sujeito do sério. Ele vai abrir a guarda e
exclamar: "Não! Match 5!''. Nesse momento diga "O quê? Meter cinco? É pra
já!" e rapidamente insira seus dedos na direção do orifício anal do rapaz. A
humilhação será dantesca e ele nunca mais se atreverá a tentar lhe passar a
perna. Não é necessário dizer que você é agora o maior herói de todos seus
amigos. Você não precisa mais fazer faculdade. Deixe que todos seus colegas
estudem, tirem diploma, montem seus escritórios ou suas próprias empresas.
Eles com certeza vão te chamar para ser seu "homem de confiança", o "seu
braço direito''. Vão achar que um homem como você não precisa de estudos e
que aliás você era muito inteligente para se sujeitar ao esquema retrógrado
que rege as faculdades. E aí seus velhos amigos vão brigar para te ter como
assessor. Escolha o camarada que lhe oferecer o melhor salário e a
secretária mais gostosa.

Você pinta como eu pinto?

Essa pergunta é bem velha, do tempo em que chamavam os órgãos sexuais
masculinos de pinto. Mas ainda há vítimas para ela. Preste atenção na hora
de responder. Na verdade, seu amigo está tentando ludibria-lo, perguntando
se você brinca com o pênis dele. O truque está na semelhança fonética com a
frase "Você pinta com o meu pinto?". A resposta é simples: ``Não. Não pinto
com broxa´´. Desse modo você nega que usa o pênis dele e ainda insinua que
ele não tem vigor sexual. Como? Reparem que broxa, além de ser aquele
instrumento usado por pintores de parede é também um dos sinônimos para
impotente. Pode usar sem problemas. É muito eficaz. Seus amigos vão ficar
tão admirados contigo que jamais vão marcar um encontro para um dia que você
não puder comparecer.

Jacaré sabe andar em terrenos alagados. Mas, jacaré no seco anda?

Opa! Calma lá, rapaz. Esta é uma brincadeira da velha geração e é bem
possível que seu pai já tenha sido vítima dela. Não fale "sim", pois o
adversário está lhe perguntando, disfarçadamente, se um "jacaré no seu cu
anda". Ao confirmar, você dará a impressão de que é um homossexual, daqueles
que deixam até um jacaré andar em seu ânus. Seja frio e responda "jacaré não
entra". Rapidamente, pergunte ao seu colega "em buraco de toupeira, tatu
caminha dentro?". O espertinho vai dizer que sim, sem perceber que você
perguntou "está tu com a minha dentro", uma forma maliciosa de questionar se
seu pênis está dentro do indivíduo. Depois de inverter o jogo de maneira tão
genial, seus amiguinhos vão passar a respeitar mais seu juízo, deixando de
zombar de você caso use roupas estranhas que sua tia lhe deu de aniversário.

Quem nasce em Pernambuco é pernambucano. E quem nasce em Tilambuco?

Fique alerta quanto ao perigo dessa cidade imaginária. Sim, ela não existe.
Foi criada apenas para que você responda "Tilambucano", que soaria como "Te
lambo o cano" e lhe faria passar por homossexual, pois cano pode ser
encarado como "pênis". A melhor resposta seria dizer "tilambucuano" ou mesmo
"tilambucuense". Um contragolpe a ser analisado é a resposta "tilambucuzão",
que insinuaria que o inimigo está sendo tocado no
ânus. É claro que não seria nada agradável passar a língua no ânus de um
rival do sexo masculino, mas é uma forma de fazer uma referência à
disponibilidade de seu orifício, o que é sempre humilhante.

Na sua casa, qual é a melhor comida? A do seu pai ou da sua mãe?

Antes de pôr tudo a perder exaltando as habilidades culinárias de sua mãe,
perceba que o inimigo está querendo fazer com que você diga que sua mãe é
"uma boa comida", ou seja, que você estaria indicando sua mãe para que todos
a possuíssem. Ou pior, que seu pai seria uma boa dica para uma "comida".
Respire fundo e com calma diga "Lá em casa sou eu que faço a comida. Mas não
sou muito bom. Vou chamar a sua mãe para ver se eu cozinho melhor". Talvez
você não tenha percebido, mas na última frase você disse, num truque
fonético, "vou chamar a sua mãe para ver seu cuzinho melhor". Parabéns, você
deu a volta por cima zombando da mãe do canalha. Se quiser dar um golpe de
misericórdia, continue dizendo "Quando ela vier, posso lavar a louça. Mas se
lavo, não cozinho. Se eu cozinho, não lavo". Veja que você disse "Seu
cuzinho não lavo", dando a entender que depois do serviço feito, ainda
deixaria o ânus da pobre senhora sujo. Depois dessa sensacional tirada, seus
amigos sempre vão consulta-lo antes de decidir que filme irão ver em grupo,
acabando com aquela fase em que todos iam juntos ver um longa que você já
tinha visto.

Você gosta de verdura?

Pobre daquele que disser que sim, achando que está sendo consultado sobre
suas preferências gastronômicas. Perceba, pobre tolo, que o inimigo está
perguntando se você gosta de "ver dura", ou seja, se você aprecia vislumbrar
um pênis em estado de ereção. Há uma forma de evitar tal zombaria e ainda
inverter o jogo a seu favor. Veja bem. O primeiro passo é frear o instinto e
não dizer "sim". Também não diga "não", pois o inimigo pode dizer "ah! Você
gosta então é de ver mole, hein? Pra depois fazer ela ficar dura!". É uma
bobeira, é verdade. Mas as pessoas não se importam muito com isso quando
estão dispostas a rir de alguém. Então aproveite esse clima de predisposição
para a aceitação de frases idiotas e diga "Só gosto do quiabo cru da sua
mãe". Todos irão se esbaldar ao ouvir algo parecido com "que abro o cu da
sua mãe". É rapaz. As coisas estão cada vez melhores para você. Todo mundo
agora acha você uma pessoal que sabe exatamente o que é engraçado ou não.
Eles vão até achar hilário quando você usar um bordão de um personagem de
novela ou de reality-show.

Você na sua casa tem tomada atrás do sofá?

Não se trata apenas de uma frase mal construída. É também uma frase
mal-intencionada. Seu adversário está querendo que você diga que você tem
sido penetrado analmente atrás de um estofado de seu lar. Ainda não percebeu
como? "Você na sua casa tem tomado atrás do sofá?". Isso é o que ele quis
dizer, garoto. Viu como é fácil ser enganado? Mas não se aflija. Basta
dizer, em tom enérgico: "Por quê? Você mexe com força?". Com isso você terá
criado uma frase de duplo sentido, na qual pergunta se ele exerce uma
profissão como a de eletricista e também se ele, ao ser possuído
sexualmente, agita os quadris com vigor. Se em meio aos risos de seus
colegas, o bastardo ainda ensaiar uma reação com um desesperado "E se você
fosse eletricista? Mexeria com força?", espere um momento, deixe o silêncio
tomar conta do ambiente e diga "Só em fio grosso". Suas palavras soarão como
"só enfio o grosso". Pronto. Mais um brilhante episódio de sua ascensão ao
posto de líder da turma. Todas as novas bandas de região vão te chamar para
integrar o grupo, nem que seja para ajudar na letra ou tocar pandeirola.

É verdade que você não gosta de tomar café expresso?

Cuidado. Se você fosse um idiota sem acesso a nossa orientação, o desfecho
do diálogo seria assim:
- "Por quê?"
- "Porque no coador é melhor" (tradução: porque no cu, a dor é melhor)
Temos um jeito para tirá-lo dessa enrascada, supondo que você esteja sentado
relaxadamente em algum lugar. Mas é preciso certo talento teatral. Faça cara
de dúvida e peça um tempo para pensar. Levante-se e, com a mão no queixo
(como se estivesse decidindo se gosta ou não de café expresso), conduza
naturalmente seu inimigo para o local onde você estava sentado antes. Ao ver
que o oponente sentou ali na vaga que você ocupava, faça uma expressão de
espanto e, com um sorriso malicioso no canto da boca, diga: "Mal saí e você
sentou na minha levantada!". Seus colegas vão entender a frase como se
significasse que seu inimigo sentou em seu membro ereto (a minha
levantada=meu pênis em riste). Em meio aos urros e gargalhadas de seus
amiguinhos, perceba que o futuro será bem mais seguro de agora em diante,
rapaz. Não precisa se preocupar em estudar nem mesmo em trabalhar de
verdade. Diga a todos que você está entrando para o ramo de Relações
Públicas, Hostess e afins. Como você é agora uma lenda viva na região, todos
os organizadores de festas pagarão para que você divulgue ou diga que irá a
seus eventos sociais, nem que seja só para ficar na porta no início de cada
festejo. Dinheiro fácil.

Neste calor, como sua a bunda, né?

Calma, rapaz. Sua cueca pode até encharcar no verão, mas não concorde com
seu colega. Na verdade, ele está dizendo "como a sua bunda". É um truque
fonético muito primário, mas eficaz. Dizer simplesmente "não", já lhe evita
um constrangimento diante da sua turminha, mas há um jeito de soar mais
esperto que seu oponente. Disfarce e diga: "com um calor assim, você deve
preferir ficar num lugar aberto, com pouca roupa, uma chuvinha em cima..."
Quando seu amiguinho concordar, você já inverteu o jogo. Perceba que na
última oração, você também usou um subterfúgio fonético para dizer "um macho
vinha em cima", insinuando que um homem viria por cima dele, situação com a
qual ele concordou. Pronto, você acaba de deixar de ser o mais idiota da
galera. As pessoas vão pensar duas vezes antes de botar o pé na frente
quando você passar.

Você sabe fazer vitamina?

Não queira se gabar de seus dotes. No momento em que você responder que sim,
seu adversário irá dizer "Então bate uma pra mim com mamão". Você talvez não
entenderia quando todos os seus amigos começassem a rir da sua cara. Veja,
bem. O espertinho acabou de lhe dar uma rasteira fonética, aproveitando a
semelhança desta frase ingênua com outra bem maliciosa: "Então bate uma pra
mim com uma mão", que seria o mesmo que "Masturbe-me usando uma de suas
mãos". Horrível, não? Então quando o canalha lhe perguntar isso, responda
"Não, mas posso te preparar uma banana. Pica pra você?". Pego de surpresa,
ele ficará com medo de dizer que quer uma banana inteira (que poderia ter
utilidades anais) e preferirá a fruta picada. Com isso, ele terá aceito uma
pica, que é sinônimo de pênis no linguajar chulo. Assim, você ganhou muito
respeito entre a garotada. Eles nem vão mais implicar com o fato de você ser
viciado em RPG.

Você tem dado em casa?

Como jogador de RPG, ainda periga você dizer que tem dado de quatro, se
referindo ao número de faces da peça. Se fizer isso, é melhor mudar de
cidade. Na verdade, o bastardo está perguntando se você tem sido sodomizado
em seu próprio lar, já que o verbo "dar", no imaginário popular, geralmente
é usado para o ato de oferecer o ânus ou a vagina. Pois é, você teria
confessado algo que nunca fez. Vamos tentar colocar seu adversário na
posição de vítima. Diga assim: "Não. Mas posso passar de bicicleta rapidinho
na sua casa para ver se tem lá. O problema é que tenho que encher o pneu.
Não vi posto nenhum na frente de sua casa. Por acaso tem posto atrás?". Se
ele disser "sim" ou mesmo um "mais ou menos", você está feito. Como? Ele
acabou de dizer que tem "posto atrás", ou seja, que tem "introduzido algo em
seu orifício anal". Você acabou de derrotá-lo. Seus amigos já não vão mais
rir tanto quando você declarar que gostou do refrão da música das meninas do
Rouge.

A que horas que o sol caminha melhor?

Como você é uma criatura ingênua e cooperativa, deve querer passar por cima
da aparente falta de sentido da frase que seu colega lhe formulou. Com toda
sua boa vontade, vai achar que ele simplesmente perguntou, de forma errônea,
a que horas é mais apropriado caminhar sob o sol. Tolo. Na verdade, seu
inimigo está usando mais um truque fonético para perguntar "A que horas soco
a minha melhor?". Levando em consideração que o verbo "socar" tem conotação
sexual, no sentido de "penetrar com força em estocadas regulares", qualquer
resposta sua com informação sobre horários será interpretada como uma dica
para o momento em que seu adversário pode sodomizá-lo com mais facilidade.
Para mudar drasticamente esse quadro humilhante, aproveite a situação. Olhe
para seu relógio, finja que vai lhe dar um horário e, subitamente, diga:
"Sabe de uma coisa? Quero vender meu relógio. Sessenta no meu, rola?". Mesmo
se não estiver interessando em comprar, a tendência é que o canalha diga
"sim", só para dar prosseguimento à tentativa dele de zombar de você. Mas na
hora em que ele concordou com a oferta, o sujeito já estará sendo alvo de
risos. Não entendeu? É que você perguntou a ele "Se senta no meu?", ou seja,
"você repousaria as nádegas em meu pênis?". Agora suas opiniões já são
plenamente respeitadas pelo grupo. Você não será mais reprimido quando
mencionar algum defeito naquela menina que todo mundo acha sensacional.

Bonita sua camisa! Linho fio grosso?

Que bom! Alguém finalmente reparou em sua camisa de linho grosso, não?
Acorde, bobão. O pulha está mesmo lhe perguntando "Lhe enfio o grosso?", que
significaria "Introduzo meu membro de grande calibre em seu ânus?". Não
fique assustado. Há como dar continuidade à construção de sua nova imagem.
Você pode dizer algo como "Acho que não, mas se eu usar força rasgo a sua"
ou partir para algo mais complexo. Diga: "Por falar em moda, reparei que seu
pé é grande. Bota em você não aperta, não?". Achando que ter pé grande
significa ser dotado de avantajadas proporções penianas, seu adversário
concordará. Você não deve ter percebido, mas passou a perna no coitado,
perguntando "Botar em você não aperta?", ou seja, "Introduzir um membro
sexual em você dá a sensação de aperto no agente ativo da relação?". É,
companheiro. Chega de ser ridicularizado quando sua mãe lhe obrigar a sair
com um guarda-chuva em tempo nublado. Seus amiguinhos vão lhe achar um rapaz
precavido, em vez de um idiota obediente.

Há um índio sentado na floresta e outro sentado no asfalto. Qual deles tem
terra na bunda?

Não se trata de um simples teste de lógica. A pergunta de seu colega tem
fins obscenos. Ela significa "Qual deles te enterra na bunda", uma forma
marota de perguntar "Qual deles introduz o pênis profundamente entre suas
nádegas?". Chato cair nessa, não? O primeiro passo é dizer "nenhum deles".
Feito isso, aproveita o tema "bunda" e diga "Por falar nisso, qual é a bunda
mais virgem do mundo?". Quando ele disser que não sabe, puxe a onda de risos
coletivos dizendo "Ah! Então você não garante que é a sua, hein?". É
bobinha, mas funciona. Ainda mais com o prestígio que você tem agora,
deixando de ser sacaneado por ser o único virgem da turma (seus amigos agora
dizem que sua virgindade é decorrente de seu elevado grau de exigência).

Fala com meu pau na goela!

Não há nenhuma zombaria escondida na frase. Ela está mesmo escancarada. Seu
inimigo lhe pôs numa situação imaginária na qual qualquer coisa que você
disser dará a entender que você realmente estaria pronunciando algo com o
pênis dele lhe tocando a garganta por dentro. É sim uma idiotice, mas a
brincadeira é muito difundida em certas partes do país. Também não adianta
ficar quieto, pois seu adversário diria "Engasgou, né?". A melhor saída é
inverter o jogo com uma rima simples, que dá a impressão de agilidade
mental. Diga apenas "Sua mãe chegou, passo pra ela!". Seus colegas não vão
ligar para a possibilidade de você ter falado com o pênis do indivíduo na
boca, e sim com o fato de, nesse bizarro universo hipotético, a mãe dele ter
ficado com o membro entre os lábios. Essa jogada é mais um item em seu
glorioso currículo. Ninguém mais se lembra das vezes em que você apanhou de
coleguinhas que estavam uma série abaixo da sua na escola.

Quer ir a uma festa? Mas é a Festa do Cu e do Pau. Qual você leva?

É uma pergunta difícil. Se você disser que leva "o pau", numa ingênua
tentativa de afirmar sua masculinidade, seu oponente irá bradar "Ah! Você
leva pau, né?", sugerindo que você costuma receber pênis em suas entranhas.
Se você disser que leva "o cu", ele o chamará de homossexual, insinuando que
você quer usá-lo de forma passiva na tal festa. Uma boa forma de tirar o
corpo fora e ainda abater seu inimigo é dizer: "Vou levar seu cu, para lhe
fazer companhia". Mais risos gerais para laurear sua incrível ascensão
social. Lembre-se que você é praticamente um mito e não precisa mais
esconder que não sabe dançar nem dirigir.

Se eu vendesse antenas, por apenas R$ 100 você levaria uma montada?

Opa, opa, opa! Muito cuidado. Não aceite essa oferta. O biltre está querendo
ludibriá-lo. A verdadeira intenção da frase é perguntar se você aceitaria,
por apenas R$ 100, ser penetrado. Sim, pois repare que "levar uma montada" é
a forma como algumas pessoas se referem ao ato de se submeter à posição
passiva numa cópula. Vamos tirá-lo dessa enrascada. Diga assim: "Não, mas
poderíamos ser sócios nesse negócio. Para juntarmos dois mil, é só ter mil
meu com mil teu, certo?". Ele dirá "sim" e você terá enganado o trouxa com
uma complexa ilusão fonética. Repare que a expressão "com mil teu" equivale
acusticamente à "comi o teu", que por sua vez será compreendida por todos
como uma declaração confirmada de que você "introduziu o pênis (comeu) no
reto do paspalho". Não tem mais volta. Você é definitivamente o rapaz mais
comentado da região, por sua esperteza e bom-humor. É hora de converter essa
fama a seu favor, seja para ganhar dinheiro, vendendo conselhos e dicas à
molecada, seja para benefícios sexuais ou sentimentais, com as mocinhas que
o esnobavam antigamente.



Coisas que quero guardar para o futuro.

Panorama da Baía

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Toponímia
30/05/2001

Baías
COROA GRANDE - "Coroa", Corruptela de corói ou coróia, vocábulo guarani: "que
surge, que aparece subitamente"; "grande", tradução de açú, "grande, extensa".
Portanto, significa "coisa que surge, que aparece subitamente, de forma, grande
a extensa". s. Baixio persistente ou temporário produzido por aluviões nos
estuários a baixo curso dos rios a lagoas. Médão do areia. Sinome: Croaxe,
Croinha. Monte de areia ao longo da costa. Duna. Situado ao S. da ilha
Governador .

GUANABARA - Corruptela de guará-nhã-pará, "o seio do mar, parecido com o rio".
Sinome: Guanabará, Ganabara, Guanábara, "seio do mar, braço do mar (Varnhagen)
; Guanapará, de quã-nã, "baixa grande, a baía", a pará, rio, barra, foz" (T.
Sampaio). Também uanãpará, denominação dada pelos tamoios à margem ocidental
desta baía. MAUÁ - Corruptela de mã-uã, "e que é elevado, ou está alto, ou
firme". Baía de Mauá, Situado ao Norte da ilha do Governador. Recebe este nome
da localidade e porto pertencente ao Estado do Rio. Praça Mauá.


Enseada
PORTO DO CIPÓ - Ci-pó, "saltos". De ci, "junto de coisas ou mais coisas"; pó,
"salto". Situado a Noroeste do morro de São João (Urca).


Ilhas
AGUARAÍBA - Parece ser corruptela de guará, nome tupi da "garça vermelha", e
tyba, "abundânda, coleção". Lit., "abundância de guarás". Também chamada de
Corneíba.

AMACENA - Contração e corruptela de ama, "estar ou ficar de pé", e cena, de
çanhê, "de repente". Primitivo nome da ilha dos Melões (desaparecida com a
construção do cais do porto) .

ANANAS - Corruptela de na-nhâ, "não corrente" (as águas). Alusão ao fato de,
em volta dessa ilha, as águas do mar formarem um remanso. Situada entre a ilha
Mexingueira e a das Flores, subordinada à Hospedaria de Imigrantes. Em frente
ao município de São Gonçalo.

ANHANGAITÁ - Contração de anhanga, "alma, espírito, duende, fantasma", a itá,
"pedra, rochedo, penedo". Lit., "pedra do espectro, do fantasma". Também
chamada Nnhanquetá. Há um grupo de pedras diante de sue face leste.

ARAROEIRA - Penso que este nome não tem relação com o vocábulo aroeira, como
pode parecer à primeira vista. Julgo que é uma corruptela de arára oéra, lit.,
"que foi das araras; que foi pouso, morada, abrigo das araras", que existiam em
abundância, na época da descoberta, em nossas matas, mas que depois
desapareceram da nossa região, como muitas outras aves. Parece ser sin. de
Aroeira ou vice-versa, em conseqüência da corrupção lingüística.

AROEIRA - Corruptela de era, "o "agente, o que é", e oéra, "forte". Sin.:
Aroeiras. Situado perto da ilha do Milho, frente à ponta do Bananal, na ilha do
Governador.

BAIACU - Corruptela de mbaecú, "coisa quente ou coisa que produz calor,
febres". Talvez referência a ser muito quente no verão. Penso não ter relação
com o peixe deste nome, pois os indígenas não costumavam dar nome de animais
aos lugares e, sim, das características locais que mais os impressionavam, como
deve ser neste caso. Situado próximo à ilha do Governador.

BOM JARDIM (I) - Corrupção de mbo-yâty, "enterra-se abrindo grêtas". Também
chamada ilha do Mosquito. Situado a Sudoeste da ilha do Governador, na enseada
de Inhaúma.

BOQUEIRÃO - Corruptela de bocaina, alt. de mbo-caina, "abertura desbaratada".
Também já foi chamada ilha dos Coqueiros, porque nela foi feita uma plantação
de coqueiros, em 1822, com exemplares vindos do Norte. Situado ao Norte da ilha
do Governador.

BRAÇO FORTE - Esquisita corrupção de vocábulos tupis. "Braço" é corruptela de
mbaraá, "muito doentia" (de mbaraá, "moléstia, doença de febres"), e océ,
posposição para exprimir superabundância (alusão ao fato de aparecer sezões, em
tempo de vazante das águas). "For to", corr. de y-oitá-hêce, "paredão de ambos
os lados". Situado no arquipélago das Jurubaíbas.

BROCOIÓ - Corruptela de borocoió, "sussurros; sussurrante". Diz a lenda que
nesta ilha, que havia servido de presídio para índios rebeldes contra os chefes
de tribos do litoral (temiminós?), seus espíritos vagam durante a noite com
soluços e gritos, clamando por socorro. Até hoje, os moradores da praia Grande,
da ilha de Paquetá, que fica em frente, afirmam que ouvem "sussurros" vindos de
lá. É tida como lugar de influências maléficas.

CABAAS - Alt. de caba, verbo tr. Cab, "o que pica, o que fere, o que espeta",
a a, por acabar em consoante. B rodeada de parcéis. Situado a Oeste da ilha do
Fundão, quase unida à ilha Baiacu.

CABRAS - Corrupção de quâ-bee, “pontiagudo". De quâ "apontar, ter pontas, com
o sufixo bae, para formar supino. Suas margens são graníticas a altas, rodeadas
de profundidades. Situado próximo à ilha do Governador. Também julgo, era o
primitivo nome da atual ilha das Cobras (Cabras foi corrompido para "Cobras"),
pertencente ao Ministério da Marinha, a qual também teve o nome de Madeira.
CAÉNS - Corruptela de caê, "tostado, moqueado; seco, enxuto", primitivo nome da
ilha das Moças (desaparecida com a construção do cais do porto) . CAJU - Parece
que recebeu este nome devido ao seu contorno primitivo, lembrando a castanha do
caju.

CAMBAMBIS GRANDE ou CAMBEMBE - Parece que Cambambis é corruptela de cambá,
vocábulo guarani, apelido do negro africano, a mbi, "pé". Lit., "pé de negro,
africano". De fato, esta ilha tem o formato de um pé esquerdo. Cambembe, adj.,
"desajeitado, cambaio, torto". Está situado próximo da ilha do Governador, no
canal Paranapucu. O antigo canal, situado entre esta ilha e a do Governador,
era chamado Cambambi Grande, ao Norte, e Cambambi Pequeno, entre a costa da
ilha do Governador, compreendida entre a ponta do Galeão e a da pedra do Boi.
Pertence à freguesia da ilha do Governador.

CAMBAMBIS PEQUENA - idem, idem. Freguesia da ilha do Governador.

CANGURUPIS (de Dentro e de Fora) - Corruptela de can, alt. de acang, "cabeça”;
gurú, alt. de curú, "seixos, pedras soltas", e py, "centro, pé, avesso".
Portanto, lit. parece significar "pedras soltas no centro de sue cabeça". Se
fôr corruptela de cambaropys, significa "com bolhas". Nada tem, pois, com o
animal australiano "canguru", como muita gente julga. Lajes situada próximo da
ilha Brocoió.

CANHANHAS - Corruptela de cá, "quebrar, cair", a nhanha, "rumorejante, que
escorre, esconde, rebenta muito". Lit., "pedras que quebram a força do mar, com
rumor, com rebentação, escondendo as águas". Ou, ainda, derivado de canha,
"sumido", e nhã, "corre"; neste caso, lit., "pedras sumidas onde corre o mar".
Grandes pedras que se acham em uma das extremidades da coroa ao Sul da ilha do
Governador e ao Norte da ilha Catalão.

CAQUEIRADA - Corruptela de caá, "morro"; qui, "base, parte Inferior, fundo", e
rá, "levantado, não nivelado, desigual". Portanto, lit., "ilha que tem mordo de
parte inferior, base, não nivelada". Há nessa ilha um morro de 299 metros de
altitude. É o morro insular mais alto da Baía de Guanabara. Atualmente é
chamada de Bom Jesus, onde existe uma Igreja do Bom Jesus, construída em 1702,
onde está instalado o "Asilo dos Inválidos da Pátria", em grande prédio que
pertenceu a um convento, motivo pelo qual esta ilha também já foi denominada de
ilha dos Frades. Situado no arquipélago de Bom Jesus, próximo à ilha Pinheiros,
formando um canal estreito.

CARDOSA - Corruptela de caã-ndog, "cortado ou quebrado". Atualmente é chamada
ilha Raimundo. Situado em frente ao porto de Maria Angu.

CARVALHO - Corruptela de quâr-a-hárû, "poços perigosos". De quâr-a, "poço,
fojo, buraco", e hárû, "perigosos". De fato, nas proximidades desta ilha
existem peraus no fundo lodoso do mar, onde várias pessoas têm morrido
afogadas, conforme tivemos oportunidade de assistir algumas vezes. Situada
junto à ilha das Flores, separada por um canal, em frente ao município de São
Gonçalo. Já foi chamada de Sete Semanas, Semana e ilha do Ajudante.

CASA DE PEDRA - Tradução livre de itaóca, "casa de pedra; a furna". Situada no
arquipélago das Jurubaíbas.

CATALÃO - Corrupção de quâ-atã-ã. De quâ, "ponta"; atã, "têsa, ereta", a ã,
"em cima". Lit., "ilha que tem ponta ereta, em cima". Seu terreno é montanhoso.
Situado na baía da Coroa Grande, próximo às ilhas Cabras e Fundão.

COBRAS - V. Cabras e Madeira.

COCÓIS - Penso ser alt. de cocais, que é corruptela de cogca-á, "arrumadas, ou
duas pedras, uma com a outra", "por estarem arrumadas, em dois pedaços, um ao
outro". Pedras situadas próximo à ilha de Paquetá.

COMPRIDA (I) - Corruptela de cuí-pií-bo, "arenosa em muitos lugares". De cuí,
"areia, pó"; pií, "amiúde, muitas vezes, em muitos lugares", com a partícula bo
(breve), para exprimir "lugar" e não "vezes". Situada no canal Paranapucu,
entre a ilha do Governador e a praia de Brás de Pina.

COQUEIROS - Tradução livre de Jeribatubas. Também chamada Boqueirão.

CRUZ DAS ALMAS - "Cruz", corruptela de cury, "ligeiro, apressado"; "almas",
corruptela de aí-mã, "altos e baixos e impedimentos". Ilhota.

ENXADAS - Alt. de "inchada", tradução de paru, nome de certo peixe achatado a
que os colonizadores apelidaram de "peixe-enxada", devido ao seu formato,
abundante em suas margens. Foi teatro de tremendas lutas, durante a revolta de
1893. Mais tarde, nela esteve instalada a Escola Naval. Situado no arquipélago
de Santa Bárbara.

FERREIROS - Corrupção de terõ, "torcido, torto", a yêrê, "voltas". Situada
próximo da ponta do Caju, no arquipélago de Santa Barbara.

FERROS - Corrupção de terõ, "torto, torcido". Situado junto à ilha Casa de
Pedra, no arquipélago das Jurubaíbas.

FLORES - V. Marim.

FOLHAS - Corrupção de yo-araquaî, "cingida de todos os lados"; ou "entre
margens altas". De formação granítica. Situada no arquipélago de Paquetá,
próximo à Ilha desse nome.

FUNDÃO - Corrupção de húú-ndi-ã, "muito lodo alto". Situado entre a ilha Bom
Jesus, ilha do Governador e a praia de Ramos. Também já foi chamada de ilha do
Negrão e ilha dos Gatos.

FUNIL - Corrupção de hû-n-ti, "revolve-se apertado". Alusão ao movimento
ondulatório a aos redemoinhos que fazem as águas revoltas do mar. Situada em
frente à praia de Copacabana.

GARAVATA - V. Saravatá.

GARGANTA - V. Caqueirada.

GATOS - Corruptela de gu-áty-aî, "têso". De gu, recíproco; áty-aî, o mesmo que
hátyai, perdendo o h por causa do gu, "têso, ereto, empertigado". Alusão à
forma piramidal dessa ilha. É um dos antigos nome da atual ilha do Governador,
constante de velhos mapas. Alguns autores, sem atentar na influência decisiva
da língua tupi em assuntos brasileiros, dizem que este nome refere-se aos
índios temiminós, seus primitivos habitantes, expulsos pelos tamoios, e que
eram chamados pelos colonizadores de "gatos".

GRAVATAÍ - Contração e corruptela de gra, alt. de guâ, "saco, seio do mar";
vatá, corruptela de oatá, "andar, caminhar, passear, palmilhar", e i, alt. de
ig, "água". Lit., "ilha que tem seios por onde passam as águas do mar". Situada
entre as ilhas da Água e Casa de Pedra.

INHAÚMA - Alt. de y-,nhã-hú-m-a, "correntezas e redemoinhos". Localidade e
cemitério.

ITAMOGUAIÁ - Contração de itá, "pedras, rochedos, penedos"; mbo, "que faz", a
guayá, "roliço". Portanto, parece, significa, lit., "ilha que o mar faz suas
pedras roliças" (ação do movimento das ondas). P. Airosa diz ser o primitivo
nome da atual ilha Villegagnon. Também Serigipe.

ITANHANGÁ - Contração de itá, "pedra, rochedo, penedo", e anhanga, "alma,
espectro, sombra, fantasma". Lit., "pedra fantasma" ou "fantasma de pedra".

ITAOCA - "A casa de pedra, a furna, a gruta de pedra". Situado próximo à ilha
de Paquetá. Tem extensa lapa aberta na rocha e que é capaz de abrigar várias
pessoas.

ITAOQUINHA - Parece ser derivado de itaóca, "pedra, laje cavernosa ou com
aberturas parecidas com furnas", e inha, corruptela de inhã, "água que jorra,
formando redemoinhos". Também pode ser vocábulo híbrido, de itaóca, "casa de
pedra", etc., e "inha", diminutivo lusitano. Portanto, a "casinha de pedra;
furnazinha de pedra". Situado próximo da ilha de Paquetá.

JAGUARÃO - "O salto do jaguar". Também corruptela de y-aqúáa-yerè-ã, "muitas
voltas esquinadas e altas". Intercalação nasal sã, para exprimir a qualidade
"ruim", para tornar bem certo o fato.

JURUBAÍBAS - Contração de yurú, "boca, trago, bocado"; bá, alt. de mbae,
"coisa, objeto", e ahyba, "má, ruim, que não presta" (ibá é "árvore").
Portanto, penso que significa "boca da coisa má". Na gíria popular, "coisa-má"
é o demônio. Lit., "boca da coisa-má", isto é, "boca do demônio, do diabo". Por
tradução, deu nome à ponta da Coisa-má, situada ao Sul da ilha do Governador.
Suponho que este nome é originado pela formação do arquipélago das Jurubaíbas,
talvez perigoso para a navegação. Duas são as ilhas deste nome: Jurubaíba de
Cima e Jurubaíba de Baixo. Situado no extremo Leste do município do Rio de
Janeiro.

LAJE - Corruptela de hâyi, "pequenina" (yi exprime também que, além de
pequena, é "redonda e côncava"). Também significa "atalho, travessia". Hayê,
corrupção pelos conquistadores, em, "laje", por causa do h aspirado a do y com
pronúncia de j, dado por alguns, significa "atalho, travessia". É preciso notar
que na língua tupi não existem os sons das letras “l” e “j”, as quais foram
introduzidas pelos ibéricos e africanos. Como bem se vê do exposto acima. esta
ilha nada tem com lajes de qualquer natureza. Ademais, é sabido que, por
ocasião da descoberta do Rio de Janeiro, e antes da construção de obras de
fortificação feitas nesta ilha, ela tinha uma pequena elevação ao centro,
espécie de morrete, que, naturalmente, foi cortado para o preparo da fortaleza
construída em 1713, a qual até hoje lá está, defendendo a entrada da barra da
baía de Guanabara. Quanto à sua significação, como "atalho" e "travessia",
explica-se pelo fato de ela estar situada mais ou menos no centro do canal
que forma a entrada da baía de Guanabara, dividindo-o em duas passagens ou
travessias. Isto posto, verifica-se que a agudeza de observação dos tamoios era
superior à dos colonizadores. Situado à entrada da barra da baía de Guanabara.

LARANJEIRAS – Corrupção de h-ar-ã-yêrê, "voltas e margens empinadas". De h,
relativo; ár, "ladear, lado"; ã, "empinar", e yéré, "voltas". Lit., "ilha
empinada em suas margens a ladeada por voltas". Pequeno ilhote, situado próximo
à ilha do Governador.

LOBOS - Corruptela de hú-bo, "aos saltos ou de golpe em golpe". É formada por
várias pedras (daí as suas características morfológicas). Pequena ilha situada
no arquipélago de Paquetá, bem em frente à mesma e próximo da ponte das barcas.
Como se vê, nada tem a ver com o animal pertencente à fauna do antigo
continente.

MACACOS (Ilha dos) - Moderna denominação da ilha Pinheiro, devido ao fato de
servir para guarda dos macacos procedentes da África e destinados aos estudos
de laboratório do "Instituto Osvaldo Cruz".

MADEIRA (Ilha da) – Corrupção de mã-ndi-yerè, "impedimentos e muitas voltas".
De mã, "impedimentos, embaraços"; adi, "muitas", e yerè, "voltas" (v. mapa de
Hans Staden, 1557). Posteriormente, segundo parece, foi chamada de ilha das
Cabras, conforme se vê em antigas cartas, passando a corrupção de Cabras para
Cobras, como suponho. E a atual ilha das Cobras, vendida pelo seu antigo
proprietário ao Governo, por 13$500 réis, hoje pertence ao Ministério da
Marinha. Nota histórica: Nesta ilha, em 1821, foram encarcerados o Padre Dr.
Macamboa e Luis Duprat, em conseqüência das ocorrências da Praça do Comércio,
precursoras da nossa independência política.

MÃE MARIA - Corrupção de mã, alt. de mbae, "coisa", a mbo-ri-y, "que verte,
que produz água".

MANGUINHOS - "Pequenos mangues" (atoladiços). Situada na baía de Guanabara.

MARACAJÁ - Alt. de maracayá, "o que imita o maracá". É um dos antigos nomes da
atual ilha do Governador. Apelido dado pelos tamoios aos índios temiminós, seus
inimigos, que habitavam esta ilha e da qual foram depois expulsos, unindo-se
então aos portugueses. Os colonizadores, numa tradução libérrima, resolveram
apelidar os índios seus aliados e essa ilha de Gatos.

" MARACAYAGUAÇU " - "O grande maracajá". Nome tamoio da atual ilha do Fundão.
Possui, no barro vermelho, veios de caulim.

MARIM - Parece que é corruptela de mborí-y, "que verte água, faz verter água"
(existiria outrora, nessa ilha, alguma vertente?). T. Sampaio diz que marim é
corruptela de mairy, cidade". Parece que a primeira explicação é a que se
aproxima da verdade, porque nessa pequena ilha nunca existiu, nem podia
existir, qualquer cidade. É nome encontrado em antigos mapas; a não ser que se
refira à ilha do Engenho, que lhe fica próxima e que tem nascente de água.
Segundo o Visconde de Porto-Seguro, marim é adulteração portuguesa de mayr-y,
"água ou rio dos franceses". Lit., "aguada dos franceses". Esta exegese é
aceitável, porque é sabido que os franceses de Villegagnon utilizavam-se dessa
e de outras ilhas da baía de Guanabara para fazerem aguadas. Em alguns mapas
antigos figura também com o nome de Mariri. Mais tarde, recebeu os nomes de
Santo Antonio e Vital. Atualmente, é chamada ilha das Flores a nela esteve
instalada a "Hospedaria de Imigrantes". Em 1932 serviu de presídio militar
dos prisioneiros paulistas, durante a Revolução Constitucionalista. Situada
em frente ao município de São Gonçalo. O mesmo que Umarim e Mariri.

MARIRI - V. Marim.

MARQUES - Corruptela de mbo-aquâ, "correntezas". Situado entre a ilha Bom
Jesus e o continente. MARUÍ - Corruptela de mberú-hy, "alagadiços com
moscardos". Ilhota.

MARUIM - Corruptela de mberú-i, "mosca pequena; o mosquito". Também chamada
Miruí. Situado na enseada de Inhaúma.

MELÕES - V. Amacena (desaparecida).

MEXINGUEIRA ou MOXINGUEIRA - Parece ser vocábulo híbrido de mechy, "pequena,
reduzida", a "eira", desinência lusa. Lit., "ilha que é pequena" ou "reduzida".
De fato, é uma pequena ilha, de tamanho reduzido, Situado próximo à ilha do
Ananás e à ilha das Flores, em frente ao município de São Gonçalo, Estado do
Rio. Está sob a jurisdição do Ministério do Trabalho.

MILHO - Corruptela de mi-y-ã, "empinada". Situado a Leste da ilha do
Governador, entre as ilhas do Rijo e Aroeira.

MOÇAS - Corruptela de mbe, particula ativa, e açá, "estender, espargir".

MOSQUITO - Corrupção de mbo-qui-iî-ta, "que tem as margens resvaladias,
lodosas".

NHANQUETÁ - Penso que é alt. de anhangaitá, "a pedra das almas, do espectro,
do fantasma, das sombras". Ilhota situada próximo das ilhas Boqueirão e
Governador.

OBU ou BUS - Corruptela de upú ou y-bú, "água que ferve ou surge; o manancial;
o olho-d'água" (215, pág. 142). Penso que é derivado de bú, "o que sai da água;
o que emerge". Hodiernamente, em certos livros e mapas, figura, erradamente,
com o nome de Obus. Ora, esta ilha nada teve, ou tem, com esse projétil de
artilharia. É mais uma corrupção a se juntar às já existentes, para complicar
ainda mais a nomenclatura indígena. Ilhota situada próxima à ilha do Governador.

OSTRABANDA - Contração e corruptela de oterõ banga, de oterõ, "torcido,
torto", e banga, "virado, vesgo". Situada entre a ilha Fundão e Bom Jesus.

PANCARAÍBA - Penso que é alt. de pincaraíba, "palmas para domingo de Ramos".
Também ocorre Pindóba Carahyba. Provavelmente, na época da colonização, para
fins religiosos, os jesuítas aproveitavam as folhas da palmeira pindoba, ali
existentes, para a ornamentação simbólica nas procissões religiosas realizadas
pela Igreja Católica nas comemorações do domingo de Ramos; é o que suponho.
Ainda pode ser corruptela de pancarauí, contração de pancará-uí, "a família do
cesto" ou "o cesto queimado"; a ahyba, "ruim, imprestável". É alta, quase
circular, desabitada a coberta de mato (aspecto de cesto?). Situada no extremo
Norte, pertence ao arquipélago de Paquetá.

PAQUETÁ (ou Pacatá, em antigos mapas a documentos) -0 Corruptela de pac etá,
"as pacas". Provavelmente, na época da descoberta, nela existiam muitas pacas
(a verificar em documentos dessa época). Palco de terríveis combates entre os
franco-tamoios e os luso-temiminós. Na revolta de 1893, serviu de base para a
esquadra revoltada e de cemitério para sepultamento dos mortos na luta. É a
mais formosa ilha da Guanabara e, por isso mesmo, com justa razão, chamada de
"Pérola da Guanabara". Situada entre os extremos Norte e Leste dos limites do
município do Rio de Janeiro.

PARANAPOCU - Contração de paraná, "mar", e pocu, "longo, esguio, comprido".
Lit., "braço de mar" ou "canal marítimo". Longo canal, atravessado pelo mar.
Situada entre o continente (praias de Maria Angu e de Ramos), onde existe um
balneário, nos subúrbios, e a ilha do Governador. Neste canal são encontradas
as ilhas Raimundo, Comprida, do Anel e Cambambis. Suponho que foi esse canal
que deu nome à atual ilha do Governador, em sua parte.

PARANAPUAN - Contração de paranã, corruptela de poró-anã, por contração de
per'anã, "excessivamente grosso". De poró, para exprimir superlativo, excesso,
extensão, hábito; anã, "grosso", e puam, "alto, elevado", talvez considerando
estar no interior, para dentro da baía. Também pode significar "ilha do mar". É
um dos antigos nome da atual ilha do Governador. Suponho que este nome se
referia à parte da ilha que fica em frente à boca da barra, isto é, em sua
parte Sul, que é a que recebe o mar grosso, vindo do oceano e batendo em cheio
nessa ilha, por ocasião das ressacas.

PAVUNA - Corruptela de pab-úna, "toda escura". Situada próximo à embocadura do
rio deste tome.

PEDRAS DA PASSAGEM - "Pedra", corrupção de perá, de pé, superfície"; rá,
"levantada, não nivelada, desigual". "Passagem", corrupção de pecê, "pedaços,
fragmentos. Lit., "que tem superfície desigual, com fragmentos de pedras".
Situada entre a ilha Seca e a pedra Obu.

PINDAIZ - Contração de pi, "centro, fundo"; ndú, "ruído, eco"; hy, "água".
Lit., "que tem águas ruidosas no fundo". Sin.: Pindaí, Pinduí. Nome de dois
ilhotes: Pindaiz de Cima e Pindaiz de Baixo.

PINHEIRO - Corrupção de pi-iêrê, "derramado". Alusão ao fato de, em suas
margens, transbordarem as águas do mar, formando alagadiços. Serviu de depósito
de macacos vindos da África para o "Instituto Osvaldo Cruz", motivo por que vem
sendo chamada de ilha dos Macacos.

PITANGAS - Corrupção de pyty, "apertar, afogar"; ã, "alto, elevado". Lit.,
"ilha que é apertada em cima, no alto". Nada tem, pois, com o vegetal. Pertence
à freguesia de Paquetá.

PITAS - É vocábulo quíchua. s. f. Fios de folhas de piteira; trança desses
fios; piteira. Ilhote assim chamado devido à enorme piteira que até alguns anos
passados crescia entre os boulders. Ouso, entretanto, discordar dessa exegese,
pelos seguintes motivos: 1°) Os indígenas não tinham o hábito de dar nome de
coisas aos acidentes geográficos, como é sabido; 2º) eles davam nome de acordo
com as características morfológicas que mais lhes impressionavam; 3°) tanto o
nome de Pitas, como o de Pitangas são corrupções de pyty, vocábulo tupi que
quer dizer "apertada, apertar, afogar", que é a característica morfológica
dessa ilha; 4°) o fato de haver nascido ali uma enorme piteira, não passa de
mera coincidência, penso. Situada ao Sul de Paquetá.

POMBAS - Parece ser corrupção de pombó, "arrojado", ou alt. de bomba, vocábulo
tupi que significa "inchado". de mbo-bae (seria este o primitivo aspecto dessa
ilha?). Nela existiu um "Hospital de Variolosos"; passou a pertencer à
Alfândega. O antigo inspetor de profilaxia marítima, Prof. Jaime Silvado,
propôs a instalação, na mesma, de uma estação de desinfecção. É a atual ilha de
Santa Bárbara, situada em frente ao cais do porto.

POMBEBA (I) - Lit., "mão chata, achatada". Pode ser interpretada como "ilha
chata, achatada, plana", que, aliás, é o seu formato. Situado em frente à praia
de São Cristóvão.

RAIMUNDA - V. Cardosa. ROAZ - Corruptela de aroá. "Saliências, hastes pontudas
e redondas". Pequeno grupo de pedras e ilhotas, perto da ponta Pelônia.

SANTA BÁRBARA - V. Pombas.

SAPUCAIA - Penso que é alt. de çapukái, "bradar, clamar, gritar, chamar,
gritar por alguém, dar sinal a alguém, gritando". Penso, pois, nada ter com o
vegetal desse nome. Parece que a origem dessa denominação provém do fato de ela
ter sido utilizada pelos tamoios para as suas convocações e chamados dos que
estavam próximo nas ilhas Pinheiro e Caquirá (Bom Jesus), por meio de gritos.
Aliás, certo trecho da atual praia de Botafogo foi chamado, outrora, de Çapukái
ou Çapucaitoba, pelo fato de ali chamarem as canoas que estavam no lado oposto,
na outra margem em frente. Serve atualmente para deposito de lixo da cidade.
Situado entre a ponta do Caju, a ilha Pinheiro e a antiga Caqueirada (Bom
Jesus).

SARAPUÍ - Corruptela de ceri-pó-i, "perseverantemente desnivelado e com
saltos". Também é corruptela de çarapó-y, "águas dos sarapós". Sin.: Sarapoí.

SARAVATÁ - Penso que é corruptela de çará, alt. de ç-araá, de ç, relativo, por
ter r o verbo araá, "enfermar, ser doentio", e vatá, alt. de uatá, "o que anda,
caminha" (o viajante?). Neste caso, lit. seria "a que é doentia (sezões?) para
os viajantes". No "Plano da Cidade do Rio de Janeiro", sem data (Biblioteca
Nacional), figura com o nome de Garavatá, que pode ser corruptela de carauatá,
"o que arranha o viajante". De qualquer maneira, nada tem, pois, com o "saravá"
da Macumba, como muita gente pensa. Esta ilha já foi chamada Camarão. Situada
em frente à foz do rio Meriti ("lugar onde abundam mosquitos"; sezões) e da
pedra do Lagarto, da penha de Irajá, e da ilha do Governador. Pertence à
freguesia de Irajá.

SECA - Corruptela de mboyâ-heeé-cuê, "sucessivamente arruinado". Situado entre
a ilha do Governador e as pedras da Passagem.

SEMANA - Corruptela de imani, "em seguida". Um dos antigos nome da atual ilha
do Carvalho. - V. Carvalho.

SERIGIPE – Sin.: Sergipe. Os Autores dizem que significa "águas dos siris",
como contração de siry-gy-pe. Ouso interpretar assim: ciry, "apartada, recuada,
afastada"; gy, alt. de yg, "água" (que, neste caso, é o mar), e pe, alt. de
apé, "caminho". Portanto, julgo que melhor significa, lit., "ilha afastada (do
continente) pelo caminho de água" (isto é, o canal situado entre ela e o
continente). Isso porque, outrora, antes dos aterros feitos com a terra do
arrasado morro do Castelo, ela estava afastada do continente e separada por um
canal marítimo que era caminho das ubás, igaras e pipiris dos tamoios. Quanto
aos crustáceos (siris), eles ainda freqüentam suas margens. Teatro de lutas
formidáveis entre os franco-tamoios e o lusitanos conquistadores. Nela foi
instalado o Forte Coligny, sede do temporário governo do Almirante Villegagnon,
que, afinal, deixou seu nome nesta ilha. Nessa época, existiam três pequenos
morros: um, central e menor, e dois outros laterais e mais altos,
os quais foram arrasados posteriormente, para a edificação de uma fortaleza
que existiu até poucos anos passados. No 2° Império, serviu de sede do Imperial
Corpo de Marinheiros, depois Marinheiros Nacionais, e, presentemente, da Escola
Naval. Com o aterro feito no continente, está ligada por uma pequena ponte de
cimento armado. Também já foi chamada do Degredo e Itamoguaiá, seg. P. Airosa.

SETE SEMANAS - Curiosa corrupção de vocábulos tupis. "Sete", corrupção de
teií-etê-pi-hibo, "lugar de muitos degraus"; bo, para exprimir lugar.
"Semanas", corrupção de imane, "uns atrás dos outros, ocultando-se". Portanto,
lit. significa "ilha que tem muitos degraus, ocultando-se uns atrás dos
outros". Também chamada Forras, Semanas e S. Rosa. Situada próximo da ilha
Paquetá.

TAIBACIS ou ITAPACIS - Corrupção de itá-y-ci, "penha despedaçada". Itá,
"pedra, penha, morro granítico"; y, partícula que, precedida do substantivo
neutro, significa "se"; ci, "despedaçar, fazer pedaços", isto é, "penha que se
despedaça". Ilhota pertencente ao arquipélago de Paquetá.

TAPUAMAS - Penso que é contração de itá, "pedras, rochedos, penedos", e puama,
"levantados, ou revolvidos". Tapuamas de Fora e T. de Dentro. Situada no
extremo Leste e pertencentes ao arquipélago das Jurubaíbas. Freguesia de
Paquetá.

TAPUTEIAS - Parece ser Corruptela de vocábulo tupi-guarani, taputera, "coisa
cortada pela metade". Freguesia de Paquetá.

TIPITI-AÇU - "A grande Tipiti", de tipity, verbo espremer; tirar liquido por
pressão", s. "a prensa", o "espremedor", e açú, "grande, maior". Penso que tem
este nome em alusão ao fato de as águas do mar passarem apertadas entre as duas
Tipitis. Situado próximo às ilhas Boqueirão e Governador.

TIPITI-MIRIM - "A pequena, a menor Tipiti". Ilhote situado junto do Tipiti-açu.

UMARIM - V. Marim.

VIRAPONGA - Contração de virá, corrupção de birã ou pirã, forma contrata de
piranga, "vermelho, rubro; pardo", podendo também significar berá, "reluzente,
luzidio, lustroso", a ponga, "coisa que percute ou ressoa, sonante; som oco".
Assim sendo, podemos assim interpretar: "coisa parda, reluzente, luzidia,,
lustrosa, que emite som oco", ou, ainda, "luzidio a ruidoso", considerando o
aspecto desse ilhote, batido pelas vagas do mar. Tem o sin. de Viraporanga,
que, neste caso, significa "vermelho, pardo; que é formoso, bonito". Parece
fora de dúvida que este vocábulo tupi sofreu influência do idioma guarani.
Situada entre as ilhas Boqueirão, Governador e Paquetá. No "Plano da Cidade do
Rio de Janeiro", sem data (Biblioteca Nacional), figura com o nome de Neraponga.

XARÉU - Corrupção de chái, "o que se põe dependurado"; ré (rasé), "escarvado",
e aú, partícula para exprimir defeito ou má vontade na ação. Possui um farolete
negro e vermelho. Nada tem, pois, com o peixe desse nome.


Lagoas
CAPOEIRUÇU - Alt. de caá-puéra-oçú. De caá, "mato"; pnéra, "que foi"; oçú,
"grande, extenso, avultado". Ao mato que se renova sobre os destroços de uma
mata primitiva, davam o nome de caápuéra, corrompido para capoeira, que
significa "mato extinto". Nome indígena da célebre lagoa da Sentinela, tão
grande, que nela se criavam jacarés. Ia de Catumbi ao morro chamado Pedro Dias
(depois chamado do Senado, e hoje desaparecido). Situado próximo à atual Rua do
Senado. Também, em certa época, teve o nome de Pedro Martins Castelhano. Seu
nome Sentinela foi originado pelo fato de ter existido, em certo ponto de sua
margem, uma guarita, onde soldados montavam guarda, noite a dia, a fim de dar
alarme a repelir os ataques dos tamoios. Por ocasião da primeira invasão dos
franceses, comandados por Duclerc, no ponto onde está a esquina da Rua Frei
Caneca (antiga do Conde) com a atual Rua Moncorvo Filho (antiga das Boas
Pernas, depois do Areal), local onde está o Hospital Hahnemanniano, estes
esbarraram com a primeira resistência oposta pelos cariocas, comandados pelo
Capitão Bento do Amaral Coutinho. Não podendo penetrar na cidade por aquele
ponto, em face dessa heróica resistência dos estudantes, resolveram então os
franceses seguir pela Rua Mata Cavalos (hoje Riachuelo) e atingir o centro da
mesma. Foi aterrada no Vice-reinado do Marquês de Lavradio, com terra do morro
do Senado. Figura no mapa da cidade do Rio de Janeiro, constante do Relatório
de Duguay-Trouin, Paris, 1740.

"ÇAPOPENYPEM" - "Lagos das raízes chatas, angulosas, esquinadas" (v. Fl.,
Sapopema). Denominação brasílica da atual lagoa Rodrigo de Freitas, que também
teve os nome de Fagundes Varela e Tretas. Nossos avós lusitanos, sempre que
podiam, substituíam o nome indígena por outros nome inexpressivos. Consta que
nela há vestígios de uma jazida de petróleo.

CARIOCA - Recebeu este nome do rio. Existiu no local onde hoje está situado o
Largo do Machado, que também foi chamado campo das Laranjeiras.

GAMBOA - Situado na parte Sul da lagoa Camorim, entre a ponta da Gamboa e o
costão de Jeribá. Também é chamada de Lagoinha Nova.

JERICINÓ - De airy, "sobre, em cima, altaneiro"; cin-ó, "liso e fechado".
Norte do pico. Situado a 887 metros de altura, localizada no pico deste morro,
abunda de excelente pescado.

LAGOA - Com este nome e situado à direita do morro Pão de Açúcar, figura no
mapa da baía de Guanabara, 1557, de Thevet.

LAGOINHA - Corruptela de yvfiaú-î-na, "lamacento". De y, relativo; ygaú,
"lama, água empoçada"; i, "conter, ter", com o suf. na, para formar supino.
Alusão à situação lamacenta da região onde está. Nome da localidade no morro de
Santa Teresa, na serra Carioca, onde existe pequena lagoa deste nome. Em 1332
foi aberto um canal de obra de alvenaria para conduzir água desta lagoa ao
aqueduto de Santa Teresa (aqueduto Carioca).

MARUÍ - Corruptela de meruî, "o mosquito": "lagoa dos mosquitos". Pântano que
existiu perto dos sacos de São Diogo e do Alferes.

PAVUNA - Corruptela de ybap-úna, "lagoa escura, negra, sombria". Existiu uma
lagoa deste nome no local onde se acha o atual Largo de São Francisco de Paula
e que se estendia até a atual Rua do Rosário. Foi aterrada por ordem do Marquês
de Lavradio. Outra lagoa existia também, com o nome de Santo Antônio, no local
onde hoje está situado o Largo da Carioca.

TIJUCA - Corruptela de ty-yúc, "água podre, lama, brejo, atoleiro, barro,
barreiro". Julgo que esta significação refere-se à situação da lagoa em épocas
recuadas, quando o mar atingia terra adentro. Com o levantamento da costa
meridional da América do Sul, o mar foi recuando e o excesso de suas águas
abriu um canal ligando-a ao oceano (barra da Tijuca). É possível que outrora
suas águas fossem pútridas, devido ao fato de não haver renovação, provocando
estagnação das mesmas a conseqüente corrupção, que determinou a nomenclatura
dada pelos tamoios. Atualmente, suas águas são salgadas, pois vêm, diretamente
do mar, através do canal. É de flora mangal e tem, em média, 4 metros de
profundidade.


Praias do continente
APICU - Corruptela de apé, "caminho", a cû, "língua". Lit., "caminho longo e
plano" (alusão a uma língua de areia). Por extensão, "língua". Alt.: Apicum. s.
Charco, brejo de água salgada à beira-mar. Coroa que faz o mar entre si e a
terra firme, e a cobre a maré. Situado próximo à praia de Ramos; desapareceu,
em parte, com a construção da Estrada Rio-São Paulo.

CAJU - Corruptela de acú-yú, "tépido" (as águas?) . Situado no bairro de São
Cristóvão.

COPACABANA - Vocábulo indígena da Bolívia, que vem de "copa" e "caguana" e
significa lugar luminoso, resplandecente"; nome de uma cidade boliviana, que
nos foi trazido pelos antigos "peruleiros", apelido dos homens que iam ao Peru
e à Bolívia buscar prata e que, por ocasião de forte tempestade próximo a esta
praia, na iminência de naufrágio, prometeram trazer uma imagem de N. S. de
Copacabana, em agradecimento a terem sido salvos, segundo li algures. O nome
brasílico desta praia é Socopenupan, alt. para Socopernipan e Sacupenopan, que
quer dizer "caminho batido, percorrido, a rota dos socós". Seg. suponho,
Socopenupan, por contração, deu origem ao vocábulo Sacopã, nome de uma ilha
Situado na lagoa Rodrigo de Freitas e do canal natural que liga essa lagoa ao
oceano. Pertenceu à freguesia de São João da Lagoa de Freitas. Antes da
urbanização do bairro (1911) e da construção da Avenida Atlântica, era coberta,
além da vegetação própria das praias e restingas, por uma verdadeira f
loresta de pitangueiras e cajueiros de várias espécies e variedades, muitas
das quais eram originais dessa zona marítima. Sempre impunes. os vendedores de
terrenos, vandalicamente, destruíram completamente esses utilíssimos vegetais
da nossa flora.

COSTÃO DO JERIBA - "Costão", corruptela de cói-ytã; de có, "pegados, juntos,
unidos", a ytã, "conchas". "Jeribá", corruptela de yari-ib-á, "frutos que caem
à toa". Portanto, penso que lit. significa "conchas pegadas (unidas, em
blocos), que caem à toa". Situado ao Sul da Lagoa Camorim.

FORMOSA - Corruptela de huú-m-océ, "muito lodosa". De huú, "lôdo, barro,
destritos"; m, intercalação nasal, a océ, para exprimir superlativo. Em suas
proximidades existiu um hipódromo e a Vila Guarani, onde foram iniciadas, pelo
Marechal Hermes da Fonseca, em 1907, as primeiras manobras do exército, por
ocasião da sua reorganização. Desapareceu com o aterro conseqüente à construção
do cais do porto.

GAMBOA - Corruptela de caá-mbó, "fecho ou cinta de ramagens". Também, de
cambóa, alt. de cambó, "o cercado". No guarani é caabó. Desaparecida com a
construção do cais do porto. Deu origem ao nome do bairro a rua.

INHAÚMA - De i, "água", e n-huú, "lôdo, lama, detritos, barro, etc." Lit.,
significa "água suja". Situado na freguesia de Inhaúma.

PALMEIRAS - Corruptela de paä-miyerê, "derramado a atoladiço". De paã,
"atolar, atoleiro", e miyerê, "derramar". Alusão ao fato desta praia, que era
atoladiça, ter as águas do mar espalhadas em suas margens por ocasião da
preamar. Estava situado no bairro de São. Cristóvão. Desapareceu, aterrada, com
a construção do prolongamento do cais do porto. Portanto, nada tem a ver com
vegetais da f. Palmáceas.

PEAÇABA - Contração de pe-açaba, "o porto; o lugar onde vem ter o caminho".
Alt.: Piaçaba, biaçá, embiaçá. Primitivo nome da praia de Santa Luzia,
fronteira ao antigo morro do Castelo (desaparecido), a que ia até o local onde
hoje está situado o Passeio Público. Desapareceu com o aterro para alargamento
da Avenida Beira-Mar.

SAPOCAITOBA - Çapokaitoba, contração de çapucái, "gritar, chamar gritando", a
toba, "frente". Lit., "lugar onde se chamava gritando os que estavam em frente,
isto é, do outro lado". Primitivo nome da atual praia de Botafogo.

SEPETIBA - Contração de çapé tiba, "abundância de sapé, o sapezal" (como
geralmente é aceito) . Penso, entretanto, que também pode significar hapé,
"caminho", e tiba, "muitos", lit., "muitos caminhos" (para o interior do
continente). Era o pôrto onde se embarcava o pau-brasil procedente de vários
lugares a que aqui chegava por vários caminhos. J. M. de Almeida diz ser
corruptela de yêpi-tib-a, "lugar natural de redemoinhos".

UBAIS - Corruptela de ui-ib-á, "côncavo, ôco". Situado entre as pontas do
Tibau e a do Engenho, em frente à ilha Bom Jesus.

URUÇUMIRIM - nome tupi da atual praia do Flamengo. Antes de receber este
último nome, foi chamada praia do Namorado, pelo fato de nela ter residido o
Juiz Ordinário do Rio de Janeiro Dr. Pedro Martins Namorado.


Praias da Ilha do Governador
BANANAL - "Empinada, sinuosa a muitas correntezas". Situado na Freguesia (ilha
do Governador).

BICA - Corruptela de mbicoen, "côncavo, convexo".

CAPANEMA (Barão de) - Contração de caá, "mato", a panema, "ruim, que não
presta, ordinário, mau, fétido".

COCOTA - (Vocábulo híbrido) - De "côco" e etá, "os". Entretanto, salvo se
houver referência aos coqueirais, penso que é corruptela de vocábulo guarani
cog-etá, "as roças".

DENDÊ - Parece ser corruptela de temb-é, "concavidades; o que é côncavo" (v.
aspecto local). Também chamada de Gaegos(?).

ENGENHOCA - Corruptela de ymirâbóca, "roda de fiar; qualquer engenho de
madeira". Também vocábulo híbrido de "engenho" a óca, "casa", ou seja, "casa do
engenho". Este vocábulo é empregado, muitas vezes, com sentido pejorativo.
Lugarejo em Campo Grande.

GAMBOA - Alt. de caá-mbo, "o fecho, a cinta de ramagens ou de pedras"; o que
obriga a remansear as águas de um rio ou do mar. Sin.: Cambó, Camboa.

GUANABARA - Recebeu o nome da baía.: Sin. Guanabará.

ITACOLUMI - Corruptela de itá-corumy, "a pedra do menino".

JEQUIÁ - Alt. de juquiá, corruptela de y-i-quiá, "rio sujo". De y, relativo,
i, "rio", a quiá, "ser sujo, sujar, sujidades". Também yiki-yá, "o cofo, o
cesto cônico para pesca": "o cofo aberto" (v. aspecto local). Penso que
qualquer dessas exegeses pode ser aplicada ao local. Os índios tinham per
hábito aplicar nomes iguais ou de sons semelhantes para designar coisas
diferentes existentes numa mesma região, como é o caso vertente, que tanto se
pode referir às águas como ao formato da praia.

MOÇA - Corruptela de mô-açá, "o que faz caminho; a travessia".

PITANGUEIRAS - Corruptela de pyty-nguê-ra, "apertado, afogado". De pyty,
"apertar, afogar"; nguêra, o mesmo que cuêra, part. do particípio passado, em
forma nasal per causa do y do verbo. Alusão a ficar apertada entre o morro
Zumbi e o mar. Nada tem, pois, com o vegetal deste nome Aliás, nesta praia não
se vê um único exemplar da útil mirtácea.

QUILOMBO - Corruptela de gui-rõ-mb-yi, "côncavo a fundo revolto". De gui, para
exprimir a parte inferior; rõ, "revolver"; mb, intercalação per ser nasal a
pronúncia anterior; yi, "concavidades, õco, abertura, seio". Alusivo à sua
forma em saco ou enseada, mas onde o mar revolve o fundo. Nada tem, pois, com o
refúgio de escravos.

RIBEIRA - Lit. significa "voltas longas". Corruptela de aréb-yère.

TUBIACANGA - Corruptela de tapyacanga, contração de tapy, animal conhecido;
acanga, "cabeça". Portanto, significa "cabeça de tapir" (v. contornos nos
mapas). Se fosse mesmo Tubiacanga, seria "cabeça de tubi", esp. de abelha
miúdà. Nestas condições, julgo certa a primeira significação. Aliás, em antigos
mapas, lê-se Tapyacanga.

ZUMBI - Penso que é corruptela do vocábulo tupi guarani tumby, "as cadeiras,
as ancas" (de mulher). Talvez recebesse este nome por analogia com o formato
desta praia. Assim sendo, parece não ter relação com o nome africano.


Praias de Paquetá
CATIMBAU - Corrupção de caá-tymbá, "o pau muito alvo". Tratando-se de morro,
significa caá, "morro ou monte'; ty, "pontas"; mbáu, "foi-se, acabou-se".
Portanto, lit. significa "morro que perdeu a ponta". (Teria esta praia recebido
este nome de algum morro próximo, que em épocas passadas tivesse o nome de
Catimbau?) Catimbau também significa "prática de espiritismo grosseiro ou
feitiçaria"; o mesmo que catimbó, "cachimbo velho a pequeno; homem ridículo".
Não encontrei nenhuma relação morfológica com esta praia nas exegeses acima
referidas. Só a pesquisa histórica a os antigos documentos poderão esclarecer a
origem deste nome aplicado à praia.

COVANCA - Lit. significa "entrada natural de um só lado".

ESTALEIRO - Corruptela de hetâ-hêrá, "um pouco aparada". De hetâ. "aparar", a
hêrá, "um pouco". Alusão a ser quase horizontal.

IMBUCA - Contração de inhambuca, corruptela de inhã, corr. de y-nhã, "água
corrente, a enxurrada; aquela que corre"; mbú, "o que sai com estrondo".

TAMOIOS - De tamuya, tamoy, "o antigo, o ancestral, o primeiro, o primitivo".
Nome da grande nação tupi que habitava esta ilha e a região da Baía de
Guanabara.


Rios
ACARI - Corruptela de aqûâ-ára-i, "perseverantemente corrente". De, aqûâ,
"correr"; ára-i, posposição para exprimir perseverança no fato. Nada tem, pois,
com o peixe. Antigo rio Sapopemba ou Maranguá. Situado entre as colinas de
Meriti, liga-se com o rio Pavuna.

ACARIOCA - "Casa, refúgio, paradeiro, abrigo do acari". Este é o nome tamoio
do atual rio Carioca.

AFONSOS - Corruptela de ahôcè, "empinado; sobrepujar-se". Alusão a ter fortes
declives. Nasce no morro dos Afonsos, na serra do Engenho Velho, atravessa o
campo de aviação (c. dos Afonsos) e liga-se com o rio Caldeireiros.

AGUA SANTA - Corruptela de i-guaã-çáíta, "enseadas espargidas". Situado no
distrito do Méier.

ANDARAÍ-AÇU - "Andaraí grande". Corruptela de andirá, esp. de morcêgo
frugívoro; hy, "rio, água", e açú, "grande, volumoso, importante,
desenvolvido". Portanto, significa "grande rio do morcêgo". Sin.: Inaraí,
Aradanhí, Andaroí, Andraí. Também chamado rio Joana, em certa parte. É o rio
Andaraí Grande, braço do rio Maracanã, que desemboca no rio Trapicheiro. Nasce
na vertente da serra da Tijuca e depois suas águas se bifurcam dando dois
braços: um, para o rio Maracanã; o outro deságua na enseada da antiga praia
Formosa, ao lado da antiga Vila Guarani, próximo à ponte dos Marinheiros, no
canal do Mangue. Deu nome ao bairro.

ANDARAÍ-MIRIM - "Andaraí pequeno, menor". De andirá, animal conhecido; hy,
"rio, água", e mirim, "pequeno, menor". É o rio Andaraí Pequeno, originado do
córrego Cacambó, situado na chácara do Conde de Figueiredo, sita à Rua Conde de
Bonfim, n ° 164.

BANGU - Corruptela de ibang, "torcido, retorcido"; ú, alt. de hy, "rio".
Portanto, significa "rio torcido". Também pode ser interpretado assim:
Corruptela de bang-ii, "fechado por morros". Situado na baixada de Bangu.

CABOCLAS (Rio das) - Corruptela de caá-bóc, "o que é procedente do mato, ou do
morro". Nome de um trecho do rio Acarioca. Situado na freguesia da Glória.

CABRAL - Corrupção de qua-ába-ré-iî-bae, "corre lento e sujo". De qua,
"correr, passar"; ába, particípio do passado para exprimir modo; iî, "sujo", e
bae, "lento". Nasce no vale do Mendanha, junta-se ao rio Sardinhas a dirige-se
para a vertente da Guanabara.

CACAMBÓ (I) - Corruptela de caca, alt. de caco, "quebrado, aberto"; mbó, o
mesmo que pó, "salto", com forma nasal de pó, significando "rio". Portanto,
podemos assim interpretar: "fio de água, que salta aberto, quebrado" (v.
características locais). Riacho Situado à Rua Conde de Bonfim, n ° 161, na
antiga chácara do Conde de Figueiredo, a que dá origem ao rio Andaraí-Mirim
(pequeno).

CALDEIREIROS - Esta é uma das mais curiosas corrupções de vocábulos tupis.
Penso que é corrupção de cá, "quebrar"; nd, "seus, suas"; yêrê, "voltas,
redemoinhos". Portanto, parece que significa, lit., "rio que se quebra em
voltas, em redemoinhos" (v. características do mesmo). De fato, não achamos
explicação para Caldeireiros ou coisa que o valha, a não ser como uma das
muitas corrupções que desfiguram os nomes tupis. Nasce na serra do Engenho
Velho, liga-se ao rio dos Afonsos, no campo deste nome, e é um dos afluentes do
rio Meriti.

CARIOCA - O mesmo que Acarioca. Por aferese, caiu o a de acari, ficando cari e
oca, "casa, refúgio, paradeiro, abrigo". Portanto, significa "casa, refúgio do
acari". Cari, ou melhor, acari, que, neste caso, é o "peixe cascudo", que ali
habitava na época do descobrimento e ainda é encontrado mais acima do seu
curso. Tem como sin. Guacari, Uacari, Acari, Cariboca (C. de Magalhães),
Cariobe (nome encontrado no Portulano de André Thevet), etc. Nasce na serra
Carioca, no lugar chamado Catetu (600 m), próximo do píncaro do morro Corcovado
(704 m), e deságua na enseada da praia do Flamengo, um pouco acima do atual
Largo do Machado (antigo "Campo das Laranjeiras"). Outrora bifurcava-se,
desaguando por dois braços, sendo que o mais extenso recebia o nome de riacho
do Catete (mato fechado) e vinha morrer perto do morro Reripe (ostreira),
atualmente chamado morro ou outeiro da Glória, formando assim uma foz em delta
a constituindo a ilha Carioca. Seu trajeto foi modificado por obras de
engenharia municipal a está "sepultado vivo", em certa parte, isto é,
canalizado. "Rio sagrado" dos tamoios, os quais lhe deram, de sua nascente até
certo ponto do seu trajeto, o nome de Uiara, a dai até a foz chamavam-no de
Acarioca (v. Portulano de 1574). Nossos tamoios, os mais bravos e inteligentes
silvícolas do Brasil, eram grandes bailadores (samba, catiretê, xiba), amantes
da música, famosos cantores (nheênmongara), famosos repentistas (daí as
"emboladas", os "desafios") e, segundo Varnhagen, atribuíam à sua linfa
preciosa as virtudes de dar beleza às mulheres, voz aos cantores a alegria aos
tristes. O nome Carioca deu origem ao apelido usado com orgulho pelos filhos
desta região. A respeito de sua etimologia, reina grande controvérsia. Vejamos
o que dizem alguns autores a escritores de nomeada: B. Caetano diz que é
derivado de kaá-ry-og a traduz como sendo "casa da corrente, do mato"; T.
Sampaio diz: "Carioca, o mesmo que carió, ou cari-yó, descendente de branco, pro
cedente do europeu, o mestiço de procedência branca; pode também ser de
sari-oca, a casa do branco ou do europeu"; M. Fleiuss diz: "1) O rio Carioca ou
Carioba, seg. André Thevet, ou ainda Cariboca, seg. C. Magalhães, a cuja
etimologia se busca filiar a caraíba, "homem branco estrangeiro". . . ; M.
Correia diz: "Carioca, casa dos acaris. Do tupi guarani: guacarí, wacarí, acarí
ou carí - "Acarioca ou Carioca", de acari, peixe cascudo (Loricaria
plecostumus), a oca, "casa, reduto, paradeiro". A casa de pedra, de Gonçalo
Coelho, à foz do Carioca, foi denominada Carioca, esconderijo dos "acaris",
guerreiros encouraçados como os peixes que são cascudos" (Correio da Manhã,
10-3-29 ) ; Othon Machado estava de acôrdo com Magalhães Correia. Isto posto,
diante dessa enorme controvérsia, parece assistir maior razão ao saudoso autor
do admirável livro denominado Sertão Carioca, pelos motivos seguintes: Na baía
de Guanabara, até hoje, existe o peixe cascudo, vulgarmente chamado acari, e
na foz do hoje chamado rio Carioca eles afluíam, em certa época do ano
(machos a fêmeas), entravam e subiam pela corrente até certo ponto do seu
leito, a fim de, instintivamente, praticarem o fenômeno biológico da desova
pelas fêmeas e o da fecundação dos ovos pelos machos, isso depois de se
voltarem a favor da corrente, em direção ao mar, saindo todos pela embocadura
do rio (piracema, "a saída do peixe"), para posterior desenvolvimento dos
cardumes, como, aliás, sucede com os demais peixes ovíparos. Era o "abrigo, o
paradeiro, a casa dos caris". Nossos tamoios, observadores rigorosos, como eram
os gentios em geral, notavam esse fenômeno natural, que periodicamente se
processava, e, por analogia, denominaram esse rio, desde a sua embocadura até
certa altura, de Acari Oca, que, na língua tupi, por eles falada, quer dizer "a
casa, o paradeiro, o abrigo, o refúgio do peixe cascudo", por eles denominado
acari... Acarioca, sem dúvida, era a pronúncia usada por esses aborígines da
grande nação tupi, designando esse curso de água, quando os brancos
portugueses e franceses aqui aportaram. Ademais, na língua falada pelos
tamoios, a língua tupi, "casa de branco" ou "casa branca", como querem alguns,
seria oca tinga a não carioca (v. T. Sampaio). Os vocábulos dialetais, como
sejam cari, cauiba ou caraiba, etc., apelido do homem branco, parecem ter
surgido muito mais tarde, depois da descoberta do Brasil, por influência do
dialeto guarani (que não era o falado pelos tamoios), da mesma maneira como
surgiu depois o apelido de mayra, dado aos franceses, e ajuru-yúba, aplicado
aos brancos de barbas ruivas ou louras (franceses da Normandia a da Bretanha;
aos alemães, ingleses, holandeses, etc.; v. T. Sampaio). Assim sendo, pensamos
que está bem esclarecido o assunto em foco, até prova em contrário... A vista
do exposto, parece lógico aceitar o vocábulo carioca, com a queda inicial do a,
conseqüência do fenômeno gramatical chamado "aférese", determinado por aqui
lo que o povo chama de "lei do menor esforço", que é resultante da "lei da
maior preguiça" em pronunciar certas palavras, como, aliás, sucede com vários
outros termos indígenas, significando, indubitavelmente, "casa dos acaris". O
fato de ter sido construída por Gonçalo Coelho (ano de 1503) a primeira casa de
pedra a cal (M. Correia), pintada de branco (caiada), junto à foz desse rio,
anos depois da descoberta do Rio de Janeiro, veio trazer a confusão que perdura
entre os que procuram interpretar a etimologia do vocábulo estudado, agravada,
ainda, pelo hábito que os indígenas tinham de aproximar certos vocábulos de
sons idênticos para significar coisas diferentes existentes em determinadas
regiões, mas com afinidades topográficas, como muito bem salienta J. M. de
Almeida. Ainda outro fato concorreu para aumentar essa confusão: os soldados
portugueses usavam, na época da conquista a da colonização do Brasil, uniformes
ostentando couraças, o que, por analogia, é certo, davam-l
hes semelhança com os cascudos acaris aos olhos dos silvícolas pródigos em
lançar apelidos, coisa que até hoje é praticada pelos seus descendentes
caboclos, daí surgindo certos termos e alcunhas da gíria popular, tais como
cacunda, boboca, pepé, bofota, etc. O rio Carioca, em alguns dos seus trechos,
tem a denominação de Lavadeiras, Caboclos, Laranjeiras a Catete. Caso seja
confirmado pelos eruditos tupinólogos o que acima exponho, apresento a sugestão
de figurar no escudo de armas do Distrito Federal, futuro "Estado da
Guanabara", o peixe que deu origem ao apelido dos seus filhos, como justa
homenagem aos primitivos donos deste rincão brasileiro. O "Centro Carioca", em
cumprimento à finalidade específica de sua organização, colocou uma placa
comemorativa na foz deste rio, no lugar onde foi edificada a casa de Gonçalo
Coelho, na atual praia do Flamengo.

CATARINA - Parece ser corrupção de catanumi, corruptela de quã-atã-haime-i,
"inteiramente a pique a pontas aguçadas". Alusão às suas margens a prumo.
Situado na zona rural.

CATETE - Contração de caá, "mato", a etê, "verdadeiro, importante": "mato
fechado". Outrora formava-se com o que se lançava no local hoje denominado
praia do Flamengo, ligando um braço do rio Carioca a formando a ilha Carioca.

CATUMBI - Corruptela de catú-huú-ybyi, "muito fundo atoleiro". De catú, para
exprimir excesso; huú, "lameiro, lôdo, detritos"; ybyi, "ôco, cóncavo, sêco".
Antiga denominação do rio Iguaçu, hoje chamado rio Comprido, que deságua no
canal do Mangue (ibang). Rola do grotão Dois Irmãos, próximo ao morro do
França. Depois toma o nome de Coqueiros. Deu nome ao bairro.

COMPRIDO (I) - Corruptela de cui-pií-bo, "arenoso em muitos lugares, muitas
vezes"; bo para exprimir lugar. Nasce na serra Carioca. Em sua foz, no local
hoje chamado ponte dos Marinheiros, existiu o antigo acampamento do índio
Araribóia. Atual nome do rio Iguaçu. Deu nome ao bairro do Rio Comprido.

COQUEIROS - Corruptela de qui-quêr-a, "dorminhoco e frouxo". De qui, "frouxo";
quêr, "dormir, repousar", com o a breve, por acabar em consoante. Alusão a ser
mui pouco corrente e a alargar-se em suas margens, daí a corrupção. 1) NOME da
parte do rio Catumbi que desemboca nas margens do S. Diogo, próximo à Rua Frei
Caneca. Situado no bairro de Catumbi. 2) Também nome do rio Catumbi, depois de
receber o afluente Papa Couves; outrora recebia o excesso de água da lagoa
Capoeiruçu (Sentinela) por um canal, conforme se vê do mapa constante das
Memórias de Duguay-Trouin, França, 1740. 3) Nome do rio que nasce na serra do
Mendanha.

COVA DA ONÇA – Corrupção de yby coára ahôcè, ou melhor, tradução livre de cui
ahôcè, "buraco que sobrepuja". Regato situado na serra Carioca, onde se reúnem
as águas que escapam do rio Papa Couves, rio Comprido a outros. Existem vários
lugares com este nome.

ENGENHOCA - (Vocábulo híbrido) - Liga-se ao rio Inhaúma.

ESCORREMÃO - este esquisito nome é uma brutal corrupção de vocábulos tupis.
Penso que é corrupção de cúry, "apressado, ligeiro"; ré, "depois de"; mã,
"alto". Portanto, parece que lit. significa "o que vem ligeiro, apressado,
depois do alto" (da nascente, no morro). Nasce na serra da Misericórdia,
atravessa o bairro da Penha e desemboca em frente à ponta do Galeão, próximo à
ilha Comprida.

FARIA - Alt. de "farinha", corrupção de h-ar-inha. De h, relativo; ar, "lado,
ladear", e inhã, "água corrente, a enxurrada, aquela que corre". Nasce na serra
dos Pretos Forros a deságua em Manguinhos.

GROTA FUNDA - Tradução livre de mbo-yâ-ty,"enterra-se abrindo grêtas";
huú-ndi, "muito lôdo". Riacho Situado na ilha do Governador.

IBUBIRACICA - Corruptela de yabirú "inflado, cheio"; rá, '`levantado, não
nivelado, desigual", e syca, verbo intr. "chegar, tocar em". Lit., "o que não é
nivelado e chega ao seu fim (embocadura, foz) inflado, cheio". Diz Gandavo:
"Riacho da baía Guanabara, defronte do porto de M. Afonso. Em frente, há 6
ilhéus de arvoredo. Depois há o riacho Unhaúma. Depois há uma enseada defronte
da ilha Parnapicu (i. Salvador Correia), a qual (Ilha do Governador) tem em
redor de si oito ou nove ilhas, que dão pau-brasil".

IGUAÇU - Contração de yg, "água"; uaçú, "grande" (no sentido de comprimento).
Nome tamoio do atual rio Comprido.

INFERNO - Corr. de y-yérè, "redemoinhos". De y, "água"; yêrê, "voltas". Alusão
a ter correnteza a redemoinhos. Situado onde começa o rio Carioca, no morro das
Paineiras. Neste local existe a chamada ponte do Inferno.

INHAÚMA - Penso que é corruptela de y-nhã-hú-m-a, "correntezas e redemoinhos".
Situado no bairro dêste nome.

INHUMARI ou INHAMUAÍ - Corruptela de nhû, "campo"; ma, "coisa"; hy, "rio":
"rio do campo, campineiro"; ou de inhamuaí, contração de inhã, "água corrente";
muss, "enseadas, golfos"; hy, "rio": "rio que tem as águas em correnteza,
formando golfos, enseadas". Seg. Aires Casal, é o antigo nome do rio Meriti.

IRAJA - Corruptela de ar-arib, cair do alto". De ar, "cair abaixo"; aribo, "de
alto"; yá, "brotar". Lit., "rio que brota no alto (do mono) a cal abaixo".
Nasce na serra do Juramento a deságua, em verdadeiro pântano, na praia, perto
da ilha Marçal de Lima, em frente às ilhas Governador a Saravatá. Nome de
localidade e cemitério.

JABURURACICA - Contração de jaburú, "inflado, cheio"; rá, "levantado, não
nivelado, desigual"; syca, v. intr. "chegar, tocar em". Lit., que não é
nivelado a chega ao seu fim (embocadura, foz) inflado, cheio". Antigo nome do
atual rio Maracanã, em sua foz.

JACARÉ - Alt. de yacarè, "o que é torto, sinuoso". Alusão às voltas que dá, em
sinuosidades. Nada tem a ver com o animal. Nasce no maciço da Tijuca, atravessa
os bairros do Méier, Engenho Novo e Triagem, ligando-se ao rio Faria. Deu nome
ao morro e localidade.

JEQUIÁ ou JUQUIÁ - Corruptela de y-i-quiá, "rio sujo" (alusão aos detritos que
vêm em suas águas). Situado na ilha Gov. Deságua no saco deste nome.

LARANJEIRAS - Corr. de h-ar-ã-yêrê, "voltas a margens empinadas". De h,
relativo; ár, "ladear, lado"; ã, "empinar"; yêrê; "voltas". Nome de certa parte
do rio Carioca. Deu nome ao bairro a ao antigo Campo das Laranjeiras, hoje
Largo do Machado. Nada tem, pois, com o vegetal.

MACACO - Corrupção de mbo-áquâ-áquâ, "muito corrente". Alusão à correnteza de
suas águas. Nome que, no morro da Tijuca, recebe parte do rio Joana.

MACACOS (I) - Mesma etimologia. Alusão às suas águas que correm em forte
declive, desaguando na lagoa Rodrigo de Freitas. Nada tem com o animal. Nasce
no maciço da Tijuca. Periodicamente transborda, inundando a causando prejuízos
às plantações do Jardim Botânico.

MACHADOS - Corrupção de haçá-bo, "lugar atravessado". Nasce nos montes do
distrito do Machado, na serra Carioca, no Andaraí.

MAMBUCABA - Contração de mã-mbucá-ába, "impedido e ruidoso". Alusão a ser
encachoeirado, fazendo suas águas grande ruído. Segundo C. Mendes, nos sécs.
XVI e XVII, a cidade do Rio de Janeiro limitava-se nesse rio.

MARACANÃ - Corruptela de mará-áqûá-nhâ, "encerrado em barrancos a muito
esquinado". Alusão a correr entre barrancos, fazendo muitas esquinas ou
ziguezagues, sem, porém, fazer voltas. Nada tem, pois, com o animal. Os antigos
chamavam-no Haracaná. Forma-se das nascentes das águas da Cascatinha da Tijuca.
Vem serpenteando encostas e gargantas do morro da Tijuca (daí seu nome) a
atinge a planície, margeando a avenida desse nome e a Rua Conde de Bonfim
(antiga Andaraí-mirim = A. pequeno) a do Engenho Velho, lançando-se no canal do
Mangue (de ibang, "torcido"), justamente na curva desse canal, onde se acha a
ponte dos Marinheiros. Em terrenos do Engenho Velho destaca um braço que toma o
nome de Andaraí. Em certo ponto de seu trajeto são encontradas ruínas do
aqueduto desse nome. Outrora teve também o nome de Jubururacica (A. Várzea), na
parte de sua embocadura, conforme se vê nos antigos mapas.

MARACANAÚ - Corruptela de maracanã-ú, "bebedouro, comedouro, viveiro dos
maracanãs", provavelmente por ter sido, outrora, freqüentado por essas pequenas
araras. Nome de um riacho que desaguava no banhado que foi aterrado, resultando
a área que serviu para a construção da Praça Serzedelo Correia. Contornava o
morro do Anhanga ("espectro"), em Copacabana (A. Várzea).

MARANGA - Alt. de maranguá, contração de marã, "batalha, guerra"; guá ou goá,
"vale": "vale da batalha, da guerra". Tomou o nome da localidade, onde,
provavelmente, outrora, os tamoios sustentaram lutas contra os seus inimigos.
Situado no vale de Bangu.

MARMITA - Penso que é corrupção de mbae, "coisa"; mbi, particula apassivadora,
a itá, "grandes impedimentos". Nasce na serra da Misericórdia a junta-se com o
rio Ramos.

MEIRINHO - Penso que é corrupção de miri, "penueno", a inhã, "água corrente.
enxurrada, água que corre". Lit., "rio pequeno com enxurradas". Nasce no vale
de Bangu a junta-se ao rio Piraquara, próximo à Vila Militar.

MERITI ou CALOJI - "Caloji" parece ser corruptela de carovy, alt. de
caá-a-oby, "a fôlha azul", o anil.

MERITI ou MIRITI - Corruptela de mbiritib, "lugar onde abundam os
mosquitinhos". Nasce com o nome de Piraquara, nas vertentes do morro da Pedra
Rasa, e com o nome de Sapopemba, em Irajá; recolhe as águas dos riachos Pavuna
e Pedras (v. NOME Santos, 222, pág. 96). Sua foz tem 40 metros de largura, em
frente à ilha Saravatá.

MURUNDU - Corruptela de myrò-nd-huú, "lôdo revôlto". Situado na localidade
desse nome, no vale de Bangu, onde há um antigo cemitério.

MUZEMA (1) - Corruptela de mocema, "fazer sair, tocar, enxotar" (as águas? os
peixes?). Situado no maciço da Tijuca, passa próximo à pedra do Tanhenga a
deságua na lagoa Tijuca.

OLARIA - Corrupção de h-o-rá-ri, "incessantemente desigual". Deu nome à
localidade e à antiga estação de Olaria, hoje Pedro Ernesto. Situado entre
Ramos e Penha. Nasce na serra da Misericórdia a deságua em frente à ilha do
Governador.

PAINEIRAS (1) - Corruptela de pái-io-iêre, "derrama-se dependurado". Nasce
próximo do morro Corcovado, na serra Carioca.

PAPA COUVES - Papa, de pa, "todas"; couve, corruptela de co, "duas coisas
pegadas naturalmente". Portanto, significa "todas as duas coisas (dois rios)
pegados naturalmente". Alusão à sua proximidade e ligação com o rio Catumbi ou
Coqueiros. Situado no bairro de Catumbi.

PAU - Corruptela de pa, "todo", e uú, "lôdo". Lit., "rio todo lodoso". Nasce
no vale de Bangu, recebe o rio Carrapatõ a liga-se ao rio Pavuna.

PAVUNA (São João da) - Alt. de pabuna ou ypabuna, "lugar ou região escura,
sombria, soturna; tudo negro". Tem 14 quilômetros de curso. Nasce no pântano do
Sítio do Retiro, morro Santo a Estrada do Carrapato (N. Santos).

PEDRA BRANCA - Tradução livre de itá, tinges, "pedra branca, alva, clara,
alvacenta". Tomou o nome do morro. Riacho que nasce no morro da P. Branca,
ponto culminante do sistema orográfico do município do Rio de Janeiro (1.024
m), defrontando o rio das Águas Frias, no morro do Melo, embrenhando-se em uma
grota a precipitando-se em lençol na bacia natural chamada Tanque das Pacas,
até a queda na confluência do rio Barrocas.

PIRAQUARA - Contração de pirá-quara, "o buraco do peixe; a toca, a dormida do
peixe": "jazida do peixe". Também pode ser alt. de piráguara, "o comedor de
peixe, aquele que vive do peixe", isto é, "o pescador". Alt.: Piracuara. Nasce
na serra do Barata, atravessa o vale de Bangu a liga-se ao rio Meirinho.
Piranguara, em antigos mapas (1930).

PITUBA - "O bafo, o sopro, a exalação". Também significa "o vagaroso, lento,
preguiçoso", em alusão à lentidão do seu escoamento a ao mau cheiro que
desprendem suas águas, motivo por que também é chamado Banana Podre, ainda em
alusão às exalações que desprende. É o atual rio Joana.

QUITITE - De quiti, "limpar, esfregar". Também chamado Quitete ou Catete.
Ainda nome de uma serpente.

QUITONGO - Qui. "parte inferior, fundo, álveo". Situado próximo do morro dêste
nome.

RAINHA (I) - Corruptela de rá, "levantado, não nivelado, desiguad", a inhã, de
y-nhã, "água corrente, a correnteza, a corredeira". Lit., "rio não nivelado a
com correntezas". Nasce no morro do Cócrane, no mac. da Tijuca, a junta-se,
próximo à sua embocadura, com o rio Macacos e com o rio Cabeça, desaguando
juntos na lagoa Rodrigo de Freitas.

SAPOPEMBA - Nasce próximo do morro dos Afonsos e junta-se com os rios das
Pedras e Meriti. É afluente do rio São João de Meriti.

SARAPUÍ - Corruptela de cerá-pó-i, "perseverantemente desnivelado a com
saltos". De ce, relativo; rã, "ser desigual, desnivelar"; pó, "salto", e i,
posposição de perseverança. Também chamado rio das Sardinhas. Nasce na serra de
Bangu, atravessa o vale deste nome e deságua na vertente da Guanabara.

SARDINHAS - Corrupção de sarandy. De ça ram, "corda desatada"; ndi, preposição
"com". Ademais, é preciso notar que nesta região não são encontrados os peixes
marinhos chamados sardinhas. (Parati, que é peixe de água doce.) Nasce entre a
serra do Quitungo e o morro dos Coqueiros, no vale de Bangu, e liga-se ao rio
Cabral, correndo para a vertente da Guanabara.

TIMBÓ - No tupi, "evaporação, bafio, vapor, névoa, exalação"; no guarani,
"fumo, fumaça". Nasce na serra Inácio Dias, atravessa a baixada de Inhaúma e
liga-se ao rio Faria, nas proximidades de Manguinhos.

TRAPICHEIRO - Julgo que nada tem a ver com trapiches. Penso ser corrupção de
tará-pi-ché, de tará, "contorcer"; py, "pé, interior, leito, centro, parte de
dentro, largura"; pixé, adj., "coisa que tem fumo, capacidade"; cué, "êsse,
aquêle". Portanto, parece que significa "aquele rio que tem o leito retorcido"
(v. características locais). Também já foi chamado rio São Francisco Xavier
(alusão à Igreja Matriz de São Francisco Xavier do Engenho Velho). Nasce num
grotão denominado Cova da Onça (yby coára ahôcè), na encosta da serra Carioca,
lança-se por entre rochedos, formando belas quedas, corredeiras, remansos,
etc., até ser captado em pequeno reservatório (Colégio Batista). Deságua no
canal do Mangue, próximo à ponte dos Marinheiros.

UNHAÚMA - O mesmo que Inhaúma. Riacho situado na localidade de Inhaúma.


Sacos
CAMARÃO - Situado a Oeste da ilha do Governador, em frente à ilha Santa Rosa.

CANTAGALO - Situado na ilha do Governador Estrada - V. Morros.

ITACOLUMI - Idem.

JEQUIÁ - Corruptela de yiki, "o cofo, o cesto cônico para a pesca"; yá,
"aberto"; "o cofo aberto". Também "covão de peixes". Alusão ao seu formato.
Situado na ilha do Governador.

MANGUE - Situado entre as ilhas Bom Jesus, Sapucaia e Pinheiro..

OLARIA - Corruptela de h-o-rá-rí, "incessantemente desigual". Situado em
Cocotá.

PINHÃO - Corruptela de pi-iêrè, "derramado". Situado na ilha do Governador.

ROSA - Corruptela de ri-yêrê, "redemoinhos". Situado na ilha do Governador.

VIÚVA - Situado na ilha do Governador.